Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Lula agiu para empoderar Fachin e se descolar de Moraes no STF

Operação comandada pelo presidente nos bastidores aproximou governo do presidente do Supremo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou pessoalmente nos bastidores a operação de aproximação com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que contribuiu para pavimentar as decisões anunciadas ontem pelo magistrado para conter a crise na Corte. O plano, segundo fontes próximas a Lula, foi guiado pela ideia de que fortalecer o presidente do STF seria determinante para equacionar a crise na Corte.

Diante da escalada das tensões nesta semana, o governo viu também uma oportunidade de descolar Lula da figura de Alexandre de Moraes. A chave seria empoderar o presidente do STF e colocar nas mãos do magistrado a solução da crise. Assim, uma eventual manifestação do presidente da República representaria um apoio institucional ao comando do STF. E não soaria como uma defesa a Moraes em meio ao confronto o ministro André Mendonça, pela suspeita envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

Lula, segundo interlocutores, foi categórico em dizer que o fortalecimento de Fachin seria determinante na estratégia. Foi assim que o governo bateu o martelo na forma como responderia ao afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado na manhã de terça-feira pelo ministro André Mendonça. Logo cedo, naquele mesmo dia, falava-se no governo em uma contestação rápida da decisão. Houve até proposta de uma resposta política drástica, como a convocação do Conselho da República. Uma ideia abortada pouco depois.

Os esforços, a partir de então, foram totalmente voltados ao diálogo com Fachin, por determinação do próprio presidente. O presidente do STF, inclusive, se reuniu com os ministros Jorge Messias (AGU) e Wellington César Lima e Silva (Justiça), que agiram como bombeiros na crise.

Nos bastidores, fontes próximas a Lula negam que o presidente soubesse do que aconteceria no dia seguinte, quando veio a público a notícia de que Flávio Dino havia derrubado a decisão de Mendonça sobre Andrei. Na prática, entretanto, a guerra entre os ministros – um indicado por Jair Bolsonaro e outro por Lula – reforçou ainda mais o papel de Fachin como conciliador da crise. O ministro, então, enquadrou de uma vez só Mendonça e Dino. Além de Alexandre de Moraes.