Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Ramagem saiu "de fininho", usou atestado e votou remotamente, dizem fontes

Nos bastidores, avaliação é de que deputado cumpriu protocolos e manteve discrição para que ausência passasse despercebida

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O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-Rj) saiu de cena “de fininho”, sem despertar nenhum tipo de suspeita na Câmara, de acordo com servidores da Casa.

O que se ouve nos corredores é que o parlamentar, condenado por seu envolvimento na trama do golpe, apresentou discretamente os dois atestados médicos — nada incomum entre os 513 deputados federais.

A Câmara só tomou conhecimento de que ele estava fora do Brasil — mais precisamente num condomínio de luxo em Miami — depois da divulgação da notícia pelo portal PlatôBR. Assim que a informação veio à tona, iniciou-se uma operação para descobrir em que circunstâncias a ausência se deu.

Um passo foi detectar que não havia sido aprovada nenhuma missão oficial, pela qual o parlamentar pudesse sair do país no exercício da atividade parlamentar e com aval. Não foi.

Nessa varredura, foram identificados os dois atestados médicos apresentados pelo deputado, um com validade de 9 de setembro a 8 de outubro; e outro de 13 de outubro a 12 de dezembro.

O que mais causou perplexidade é que, segundo os levantamentos preliminares feitos desde quarta-feira (19), Ramagem inclusive participou de algumas votações por meio do sistema de registro remoto da Câmara. Na prática, ele estava quites com a Câmara, o que contribuiu para que a sua ausência passasse despercebida.