Reforma ministerial pode vir a conta-gotas e até encolher
Lula reduz ritmo das negociações e mantém em aberto novas trocas na Esplanada
Cresceram no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) as especulações sobre o recente esfriamento na reforma ministerial. Entre auxiliares do petista, a avaliação é que a reformulação da Esplanada pode prosseguir a conta-gotas, podendo até mesmo encolher em comparação às expectativas que se desenhavam antes do Carnaval.
Lula abriu as mudanças na equipe do primeiro escalão no início do ano, com a indicação de Sidônio Palmeira para o comando da Secretaria de Comunicação Social. Mais recentemente, veio a transferência de Alexandre Padilha para a Saúde, abrindo espaço para que Gleisi Hoffmann assumisse a Secretaria de Relações Institucionais.
Esperava-se que ele iniciasse uma nova rodada de mudanças após o Carnaval, mas houve pouco avanço nas conversas até agora. Neste momento, a expectativa é que as conversas fiquem mornas ao menos até a volta do presidente ao Brasil, após a viagem ao Japão.
Nos últimos dias, Lula chegou a conversar com o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que declinou o convite para se juntar ao governo.
Ainda há expectativa de que o presidente faça ao menos mais uma substituição no time palaciano, com a escolha de um nome para substituir Márcio Macedo na Secretaria-Geral da Presidência. Mas, também nesse caso, há pouca clareza sobre o perfil que será escolhido. Entre os cotados para a vaga, já apareceram nomes como o ex-ministro da Secom Paulo Pimenta e o deputado Guilherme Boulos (PSol-SP).
Parte do governo também defende que Lula evite distribuir imediatamente mais ministérios a partidos do Centrão. A avaliação é que legendas como PSD, União Brasil e PP seguem pressionando por mais espaço, sem o compromisso claro de entregar votos no Congresso. Ainda assim, a aposta é que ao menos alguns remanejamentos dedicados a essas legendas serão necessários nesta largada da legislatura.
Quem convive de perto com Lula insiste que o desenho para o restante da reforma está na cabeça do presidente, que tem tratado do tema com poucos conselheiros de sua confiança. Além da pausa imposta pela agenda internacional do presidente, uma ideia é esperar até que Gleisi se ambiente um pouco na articulação política, para avaliar quais serão os próximos passos da negociação.



