Witzel desiste de candidatura ao governo do Rio e anuncia apoio a Garotinho
Ex-governador do Rio de Janeiro era pré-candidato ao Palácio Guanabara pelo Democratas
O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (Democratas-RJ) desistiu da pré-candidatura ao Palácio Guanabara e declarou apoio ao candidato Anthony Garotinho (Republicanos).
A decisão foi anunciada neste sábado (1º), durante a convenção estadual do Democrata que oficializou os nomes da legenda para as eleições de outubro.
Em nota, Witzel afirmou que a decisão tem como objetivo evitar a fragmentação das candidaturas de direita no estado e ampliar as chances deste campo político de chegar ao segundo turno. Segundo ele, o Republicanos possui hoje uma estrutura partidária mais consolidada para a disputa eleitoral, enquanto o partido Democratas passa por um processo de reorganização e não tem acesso ao fundo partidário.
Apesar do apoio, Witzel descartou integrar a chapa como candidato a vice-governador. Em reunião realizada nesta sexta-feira (31), ele apresentou a Garotinho propostas para as áreas de economia, segurança pública e políticas sociais.
O ex-governador também afirmou que não apoiará o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), Douglas Ruas (PL), por considerá-lo integrante do grupo político ligado ao governador Cláudio Castro (PL), que assumiu o comando do estado após o impeachment de Witzel.
Pré-candidatura
Em junho, Witzel lançou sua pré-candidatura ao governo do estado pelo Democratas, marcando seu retorno à disputa eleitoral após cumprir o período de cinco anos de inelegibilidade decorrente do impeachment.
À época, o ex-juiz federal afirmou que sua candidatura não era motivada por “vaidade”, mas pela intenção de oferecer uma alternativa aos eleitores fluminenses.
“Eles me derrubaram, mas não me quebraram. Hoje, oficializamos a minha pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro pelo Partido Democratas. Não por vaidade, mas porque o povo fluminense merece mais do que medo, abandono e omissão”, declarou em comunicado divulgado por sua pré-campanha.
Witzel também voltou a contestar o processo que resultou em seu afastamento, classificando o impeachment como uma tentativa do sistema de “calá-lo”.
Entenda o impeachment de Witzel
Wilson Witzel foi afastado definitivamente do cargo de governador do Rio de Janeiro em 30 de abril de 2021 e ficou inelegível por cinco anos.
O pedido de impeachment foi apresentado em maio de 2020 pelos então deputados estaduais Luiz Paulo (à época no PSDB, hoje no Cidadania) e Lucinha (PSDB), com base em informações da Operação Placebo, da Polícia Federal, que investigava suspeitas de irregularidades em contratos da área da saúde durante a pandemia.
Antes da conclusão do processo político, Witzel já havia sido afastado do cargo por decisão do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A investigação teve como um dos principais elementos a delação premiada do ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos, que apontou a existência de um suposto esquema de desvios de recursos públicos e atribuiu ao então governador participação nas irregularidades.
Segundo denúncia do Ministério Público Federal, teria sido estruturada uma organização criminosa no governo do estado, formada por grupos que disputavam influência sobre áreas estratégicas da administração pública mediante pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. De acordo com a acusação, empresários ligados a esses grupos buscavam controlar secretarias estaduais, especialmente a da Saúde, para beneficiar empresas contratadas pelo governo.
Com informações de Poliana Santos, da CNN Brasil, em São Paulo.



