MPF aponta irregularidades em voos no Rio; 3 em 10 descumprem altitude
Relatório do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro aponta descumprimento de altitude mínima e elevados níveis de poluição sonora em voos panorâmicos turísticos na capital fluminense

Um relatório produzido pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro aponta uma série de irregularidades envolvendo voos panorâmicos na capital fluminense. Entre os problemas identificados pelo órgão e comunicados às autoridades competentes estão o descumprimento da altitude mínima exigida e níveis elevados de poluição sonora.
Um monitoramento que integra o levantamento, ao qual o blog teve acesso, mostra que, entre março e abril de 2026, a Aeronáutica constatou que 34,5% das aeronaves que pousaram ou decolaram do Aeroporto de Jacarepaguá descumpriram a altitude mínima de 500 pés nas posições monitoradas.
Na prática, 3 em cada 10 aeronaves desrespeitaram o limite estabelecido.
O documento menciona ainda um monitoramento acústico realizado em seis pontos da zona Sul. A análise constatou níveis elevados de poluição sonora atribuídos a helicópteros, que chegaram a operar até 16,4 decibéis acima do limite previsto na legislação.
O levantamento, conduzido por iniciativa do procurador da República Sérgio Suiama, também aponta limitações nos mecanismos de fiscalização do tráfego aéreo e a falta de uma atuação integrada entre os entes federativos e os órgãos responsáveis pelo controle da atividade.
O procedimento, que pode resultar no ajuizamento de uma ação, lembra que o MPF firmou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com 14 empresas de turismo aéreo para regulamentar os voos panorâmicos na cidade do Rio. Segundo o órgão, no entanto, parte das medidas previstas no acordo estaria sendo descumprida.
Aumento de voos e de mortes em 2026
De acordo com dados obtidos pelo MPF/RJ, entre outubro de 2024 e setembro de 2025 foram realizados 24.681 voos panorâmicos, com 81.390 passageiros transportados. O volume corresponde a uma média de 2.056 operações por mês e aproximadamente 68 voos turísticos por dia, com picos superiores a 100 operações diárias.
A cidade do Rio de Janeiro contabilizou 13 mortes em acidentes com helicópteros em 2026, sendo 11 delas em um intervalo de menos de dois meses. No último sábado (8), ocorreu o terceiro acidente fatal com esse tipo de aeronave no município neste ano.
Os dados são do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e estão disponíveis para consulta pública no Painel Sipaer.
Em 2025, não houve acidentes fatais envolvendo helicópteros na capital fluminense.
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou, no último domingo (9), que está em contato com a Prefeitura do Rio para definir uma atuação conjunta na fiscalização dos voos panorâmicos na cidade. A medida foi discutida após um pedido do prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), feito no dia do acidente.
Cavaliere solicitou à Anac medidas imediatas e mencionou a possibilidade de suspender temporariamente os voos panorâmicos, por uma ou duas semanas, para permitir uma fiscalização mais intensa por parte da agência.
Segundo o prefeito, o aumento no número de voos panorâmicos e de operações de táxi aéreo no Rio de Janeiro não pode ser considerado normal.
Segundo a FAB, a reestruturação do espaço aéreo do Rio de Janeiro prevista para 2027 tem como objetivo “otimizar as trajetórias de voo, tornando-as mais eficientes, precisas e padronizadas, com vistas à otimização dos fluxos de chegada e saída por operação IFR (por instrumentos)”.
**Com informações de Thiago Félix, da CNN Brasil, em São Paulo



