Tarifaço compromete investimento de US$ 330 milhões nos EUA, diz Taurus
Fabricante de armas e Companhia Brasileira de Cartuchos, sua controladora, enviam ofício ao USTR alertando que tarifas de 25% colocam em risco plano de expansão em solo americano

Se adotadas efetivamente pelo governo de Donald Trump, as tarifas de 25% sobre o Brasil colocam em risco investimentos de US$ 330 milhões da Taurus e da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) nos Estados Unidos, informaram as duas empresas em manifestação protocolada no USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca).
O CEO e presidente do conselho de administração da Taurus Holding, Bret Vorhees, assina um documento de 13 páginas encaminhado ao governo americano no âmbito da investigação do USTR sobre práticas desleais por parte do Brasil.
No ofício, Vorhees pede a exclusão de 40 linhas tarifárias (grupos de produtos) do tarifaço de Trump, que pode ser aplicado a partir do dia 15 de julho.
Sediadas no Rio Grande do Sul, a Taurus e a CBC (controladora da Taurus) são duas das principais indústrias de defesa brasileiras, com presença nos Estados Unidos.
A Taurus, uma das maiores fornecedoras de revólveres e pistolas ao mercado americano, tem uma subsidiária na Geórgia desde 2019 e diz já ter aportado mais de US$ 37 milhões na unidade, com a geração de 230 empregos de alta qualificação.
No ano passado, a CBC anunciou um projeto de US$ 300 milhões em Oklahoma para fabricar munições para armas curtas, com a previsão de criar cerca de 350 postos de trabalho.
A ideia é produzir localmente uma linha completa de municações, incluindo os calibres 9mm, 5.56mm, 7.62mm e .50 BMG, atendendo os mercados militar, policial, esportivo, de defesa pessoal e de caça.
"As tarifas propostas colocariam em risco mais de US$ 330 milhões em investimentos já comprometidos na manufatura dos EUA", afirma Vorhees no documento encaminhado ao USTR.
"Esses aportes apoiam diretamente as metas do governo federal [americano] de trazer a produção de volta ao país (reshoring), fortalecer a capacidade industrial doméstica e construir cadeias de suprimentos resilientes para linhas de produtos críticas à segurança nacional", explica o executivo no ofício.
"O prejuízo decorre de dois fatores interligados. Primeiro, as tarifas aumentariam o custo de insumos e equipamentos importados necessários para as novas operações em solo americano, elevando o custo total dos investimentos — sendo que tais insumos e equipamentos não estão disponíveis com fornecedores locais."
"Segundo, as tarifas reduziriam a receita comercial gerada pelas vendas de importados, que justamente financia os projetos atuais e planejados nos EUA."
"Esse duplo impacto comprimiria tanto o faturamento quanto as margens de lucro exatamente no momento em que os investimentos exigem suporte financeiro estável para alcançar e sustentar a capacidade operacional plena."



