Análise: candidatos gaúchos ignoram polarização no debate e miram cotidiano
Disputa estadual teve referências pontuais a Lula e Flávio Bolsonaro, mas concentrou embates em serviços públicos e reconstrução do estado

Candidatos aos governo do estado do Rio Grande do Sul usaram o debate promovido pela Rede Globo nesta terça-feira (29) para discutir temas do cotidiano do eleitor como educação, saúde, segurança pública, investimentos e prevenção ao impactos dos desastres naturais.
A polarização marcada em nível federal entre os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apareceu de forma lateral, quando o atual vice-governador e candidato ao governo gaúcho, Gabriel Souza, afirmou que sua concorrente Juliana Brizola (PDT) teria vergonha do apoio de Lula.
A neta do ex-governador Leonel Brizola negou a afirmação e disse não querer levar ao Rio Grande do Sul a briga de Brasília, mas sim, “fazer as pazes do estado” com o titular do Palácio do Planalto, “seja ele quem for”. Ela reforça ser “do diálogo” é capaz de conversar com quem pensa diferente.
O deputado federal Luciano Zucco (PL), líder nas pesquisas, só em suas considerações finais mencionou que “Juliana Brizola é Lula e Lula é Juliana Brizola”.
Zucco defendeu aumento expressivo em investimentos no estado. Ele criticou a postura da atual gestão estadual sobre saneamento da dívida do estado com a União. Zucco afirmou que o governo de Gabriel Souza tem como prioridade “pagar boleto ao governo federal” em vez de fazer a região crescer.
No terceiro bloco, o clima esquentou entre Zucco e Gabriel. O vice-governador rebateu o concorrente e, com dedo em riste, pediu respeito e disse não ser “um mentiroso”. A discussão girou em torno da morte de cães e gatos por meio de eutanásia ilegal.
Gabriel, em terceiro nas pesquisas, defendeu o legado da atual gestão. Citou programas implementados pelo governador Eduardo Leite (PSD), como o SUS Gaúcho, e defendeu pontos polêmicos adotados nos últimos anos, como o sistema de progressão automática nas escolas.
O vice-governador teve dificuldades em explicar a escassez de projetos para acessar os recursos de um fundo com R$ 6 bilhões para reconstrução e infraestrutura após enchentes que destruiu parte do estado há dois anos.
O candidato Marcelo Maranata (PSDB), que aparece na mais recente pesquisa da Quaest com 3% de intenção de votos, ficou fora da linha de tiro dos concorrentes. Ex-prefeito de Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre, ele destacou não ter apadrinhamento político de ninguém.



