Análise: Alcolumbre bancou risco de perder cargos para se reposicionar
Presidente do Senado preferiu reforçar prestígio perante aos senadores e se cacifar politicamente

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União- AP), sabe que a resposta provável que virá do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à rejeição em plenário de Jorge Messias ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal deve implicar na retirada de nomes do governo federal sugeridos pelo parlamentar.
Mesmo assim, Alcolumbre calculou que, na atual circunstância, valeria mais reforçar o prestígio perante aos senadores e se cacifar politicamente do que manter indicados por pouco mais de meio ano de governo.
Com a derrota histórica vivida pelo Palácio do Planalto nesta quinta-feira (29), Alcolumbre mostra que se o Senado hoje aprova projetos de interesse do governo é porque tem seu próprio aval. E ainda relembra a Lula que o parlamento que existia em mandatos passados do petista não existe mais.
Aliados de Lula dizem que o presidente ficou surpreso com a rejeição de Messias pelo Senado. Se isso for verdade, só mostra que ou articuladores presidenciais estavam com o termômetro quebrado ou que mentem para o chefe.
Já o "palpitrômetro" de Alcolumbre estava calibrado. O senador apostava que o governo perderia e que não seria de pouco.
Segundos antes da abertura do painel que revelou o placar da votação, ele cochichou ao líder do PT, senador Jaques Wagner (PT-BA), que a derrota seria por oito votos. Venceu o bolão: o resultado ficou em 34 votos a favor e 42 contra o advogado-geral da União.



