Débora Bergamasco
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Débora Bergamasco

Débora Bergamasco é jornalista, com passagem pelas redações de Estadão, Folha, O Globo, Época, IstoÉ e SBT

Lula avalia procurar Trump para falar sobre Venezuela

Planalto entende que há interesse dos EUA na estabilidade da região

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia procurar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a situação na Venezuela, segundo fontes ouvidas pela CNN.

Na avaliação do governo, Brasil e EUA têm interesses convergentes na região e Lula quer reiterar a disposição de se colocar como um facilitador do diálogo entre americanos e venezuelanos. Lula já manifestou em nota a disponibilidade para ajudar nas conversas entre os dois países. Agora, o governo avalia se há espaço para um telefonema direto para Trump.

Na avaliação de autoridades do Palácio do Planalto e do Itamaraty, é importante para os EUA que a situação na Venezuela se mantenha estável politicamente. O vácuo de poder em Caracas poderia resultar em conflitos civis, disputa entre facções, insurgência social e ainda mais consequências econômicas negativas no território. Este cenário, segundo apuração, exporia eventual falta de planejamento e controle de Trump em relação ao "dia seguinte" à derrubada de Maduro, além de atrapalhar os planos trumpistas de "reconstruir" a Venezuela.

Embora a relação entre Lula e o regime de Maduro estivesse estremecida desde a eleição presidencial na Venezuela do ano passado, em que o Palácio do Planalto exigiu a divulgação das atas eleitorais como condição para reconhecer a vitória do ditador, Lula é um dos chefes de Estado com melhor relação com o governo vizinho em toda a América Latina. O brasileiro tem longa experiência com o chavismo e sabe como funciona a engrenagem da esquerda venezuelana. Lula agora também tem canal direto com Trump e, essa ambivalência, é vista um ativo do líder brasileiro por seus auxiliares.

No sábado (3), Lula ligou para a presidente interina Delcy Rodríguez, que era vice de Nicolás Maduro e na segunda (4) substituiu oficialmente o ditador após ele ser capturado pelas forças de segurança dos EUA. Ele quis se inteirar de como aconteceu a captura de Maduro, como está se dando a substituição no cargo, a situação política e também se colocar à disposição para ajudar a nação amiga.

Conforme a CNN antecipou, além de auxílio político, o Brasil também está disposto a enviar à Venezuela suprimentos como comida e remédios, caso seja necessário.