Nunes Marques terá trégua da oposição sobre urnas e Bolsonaro inelegível
Avaliação é de que ministro não teria disposição de se posicionar contrariamente ao uso das urnas eletrônicas e que candidatura de Flávio à Presidência já está sedimentada

Lideranças do bolsonarismo darão, neste ano, uma espécie de trégua ao novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, em duas frentes: urnas eletrônicas e inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Oposicionistas ouvidos pela CNN dizem que lutar para derrubar no TSE a inelegibilidade de Bolsonaro seria uma briga inócua no momento. Argumentam que o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já está sedimentado como candidato à Presidência, representando a família. Soma-se a isso o fato de o ex-presidente ainda não ter conseguido anular suas condenações por arquitetar um plano de golpe de Estado. Por fim, a saúde do patriarca, analisam, o impediria de entrar em corrida eleitoral neste ano.
Porém, não descartam voltar a este tema no ano que vem, aproveitando o comando do TSE nas mãos de dois ministros indicados por Jair Bolsonaro - Nunes Marques na presidência e André Mendonça na vice. A mobilização ganharia ainda mais força se Flávio se eleger chefe do Executivo, conforme avaliação de lideranças da direita.
A CNN também apurou que bolsonaristas continuarão defendendo seus ideais de retorno ao voto impresso, mas não deve haver campanhas orquestradas para questionar a lisura da urna eletrônica, como ocorreu em pleitos passados. Calculam que, a essa altura, sequer haveria tempo hábil para trocar todo o sistema de votação do país. Além disso, também vêem disposição de Nunes de se posicionar contrariamente ao uso das urnas eletrônicas, conforme antecipou a CNN.
No entanto, já há uma articulação de direitistas para tentar convencer o novo presidente do TSE a voltar ao modelo antigo de contagem de votos por estados. Desde as eleições municipais de 2020, a votação de todo o Brasil passou a ser apurada pelo TSE, em Brasília.
Até 2018, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) recebiam os dados das zonas eleitorais, realizavam a contagem e enviavam os resultados já consolidados ao TSE. Oposicionistas dizem que voltar a este modelo descentralizado "não resolve o problema", mas seria "uma camada de transparência".



