Débora Oliveira
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Débora Oliveira

Certificada pelo Programa B3 de Formação Continuada em Mercado de Capitais para jornalistas com atuação em grandes emissoras, como SBT, Band e RedeTV, e analista de economia sem economês

Argentinos (ainda) aguentam o tranco da economia com superávit e alta da pobreza

País passa de transição, e há quem diga que processo deve durar de 18 a 24 meses

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Com superávit fiscal em janeiro pela primeira vez em quase 12 anos, o saldo positivo das contas públicas na Argentina veio após um grande corte de gastos no país.

O balanço para as finanças foi positivo em cerca de US$ 589 milhões, já contemplando o pagamento dos juros da dívida pública.

Vale lembrar que zerar o déficit público é a principal meta da gestão de Milei, e o comunicado oficial do governo deixa isso muito claro.

Para Igor Lucena, economista, empresário e doutor em Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, do ponto de vista ortodoxo da economia, a demanda ainda vai cair muito devido ao aumento da pobreza, com as pessoas diminuindo muito o nível de consumo. E essa diminuição da demanda deve fazer com que a inflação caia.

"Os estoques no primeiro momento vão subir e as empresas vão querer liberar os estoques diminuindo preços. Então, num segundo momento, o que devemos ver acontecer já nos próximos meses é a queda da inflação até que ela comece a entrar em um patamar mais lógico", explica.

Não é o que pensa o professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan. Para ele, a inflação argentina, que está na casa dos 254%, deve continuar subindo, acompanhando a alta dos combustíveis, do setor de serviços e das tarifas do transporte público.

Além disso, o único consenso, na opinião de Trevisan, é que a atividade econômica dos hermanos no primeiro trimestre deve cair entre quatro e seis por cento.

Aumento da pobreza na Argentina

Um estudo do Observatório da Dívida Social Argentina divulgado neste final de semana mostrou que a pobreza no país vizinho passou de 49,5%, em dezembro de 2023, para 57,4%, em janeiro, chegando ao nível mais alto dos últimos 20 anos e atingindo pelo menos 27 milhões de argentinos.

Problema que Milei atribuiu em seu perfil oficial no X (ex-Twitter) aos políticos argentinos: “Verdadeira herança do modelo de castas”.

O líder argentino disse que “6 em cada 10” no país são pobres.

“Os políticos têm de compreender que o povo votou pela mudança e que vamos dar as nossas vidas para levá-la adiante”, escreveu.

Com pobreza em alta e superávit positivo, Milei segue garantindo a credibilidade dos órgãos internacionais e até da maioria dos seus eleitores, que tinha sido avisada de uma piora dos dados econômicos.

Mas também enfrenta manifestações nas ruas e resistência no Congresso, que já fez com que ele voltasse atrás com algumas propostas de governo.

O país passa por um momento de transição, e há quem diga que esse deve ser um processo que vai durar de 18 a 24 meses.

A grande dúvida que ainda paira até o momento é se a população vai conseguir aguentar esse tranco econômico.

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