Débora Oliveira
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Débora Oliveira

Certificada pelo Programa B3 de Formação Continuada em Mercado de Capitais para jornalistas com atuação em grandes emissoras, como SBT, Band e RedeTV, e analista de economia sem economês

Análise: Copom deve cortar Selic, mas continuidade do ciclo ainda é dúvida

Inflação mais baixa favorece redução dos juros para 14%, enquanto petróleo e expectativas desancoradas recomendam cautela

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A Selic deve cair na próxima quarta-feira (5), essa é a aposta majoritária do mercado.

Durante essa semana, a curva a termo já precificava 90% de chance de corte na taxa de juros em 25 pontos porcentuais, para 14% ao ano, na aguardada reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que começa na terça (4).

A aposta ganhou força depois da divulgação do IPCA-15 de julho. A prévia da inflação do IBGE avançou apenas 0,06% no mês, muito abaixo do esperado, e desacelerou para 4,52% em 12 meses.

A inflação também ficou menos espalhada entre os produtos e serviços pesquisados.

O resultado se soma aos sinais de perda de fôlego da produção industrial, do comércio, dos serviços e do crédito. É justamente esse o efeito esperado dos juros elevados: reduzir a demanda para diminuir a pressão sobre os preços.

Ou seja, a fotografia de julho realmente abre espaço para o corte. Mas ainda não garante que a inflação esteja convergindo de forma sustentada para o centro da meta, de 3%.

As expectativas para os próximos anos continuam desancoradas, de acordo com Boletim Focus do Banco Central da última segunda-feira (27).

Apesar do mercado ter reduzido a projeção de inflação para 2026, as estimativas para 2027 e 2028 foram elevadas.

Essa combinação ajuda a explicar o atual dilema do Copom: os números mais recentes estão melhores, mas a confiança na inflação futura ainda não foi recuperada.

Alívio externo com ressalvas

Os dados dos Estados Unidos também pareceram mais benignos à primeira vista nesta semana. O PIB cresceu abaixo do esperado no segundo trimestre e o PCE, indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, recuou em junho.

Porém, a composição dos números recomenda cautela. A demanda privada americana continuou forte e o PCE ainda acumula alta de 3,7% em 12 meses, distante da meta de 2% do banco central dos Estados Unidos.

Isso reduz a possibilidade de uma queda rápida dos juros americanos.

Taxas elevadas por mais tempo nos Estados Unidos sustentam o dólar e diminuem o espaço para que países emergentes, como o Brasil, acelerem a redução dos próprios juros.

Ao mesmo tempo, a retomada das tensões no Oriente Médio recolocou o petróleo perto de US$ 90 por barril. Se persistir, essa alta pode alcançar a inflação brasileira por meio dos combustíveis, dos fretes, das passagens aéreas e dos custos de produção.

Mas o Banco Central não precisa reagir a cada oscilação do petróleo.

O risco aparece quando o choque se prolonga, contamina outros preços e aumenta a desconfiança sobre a inflação futura. Por isso, mais uma vez o recado será mais importante que o corte.

Considerando esse cenário, uma redução de 0,50 ponto parece improvável.

Já a manutenção da Selic, essa também é possível. Mas contraria os sinais dados pelo próprio Banco Central e a expectativa amplamente predominante no mercado.

O desfecho mais provável é um corte de 0,25 ponto, acompanhado por um comunicado cauteloso. A principal questão será saber se o Copom deixará espaço para novas reduções ou se já indicará uma pausa.

A mediana das projeções do mercado aponta uma Selic de 14% no encerramento de 2026. O que significa que, se o corte de agosto for confirmado, ele poderá ser também o último movimento do ano.

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