Débora Oliveira
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Débora Oliveira

Certificada pelo Programa B3 de Formação Continuada em Mercado de Capitais para jornalistas com atuação em grandes emissoras, como SBT, Band e RedeTV, e analista de economia sem economês

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Estrangeiros elevam liquidez e impulsionam recordes do Ibovespa em 2026

Fluxo externo e aumento do volume à vista recolocam o Brasil no radar global

Ilustração de um homem de terno e cartola jogando um avião feito de dólar ao Brasil
Ao mesmo tempo, a entrada líquida de recursos de investidores estrangeiros já soma R$ 12,35 bilhões até o dia 21 de janeiro  • Ilustração gerada por IA
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O mercado acionário brasileiro iniciou 2026 com uma combinação que não se via há mais de dois anos: forte entrada de capital estrangeiro e aumento expressivo da liquidez no mercado à vista.

Esse movimento tem ajudado a dinâmica da bolsa, com reflexos diretos sobre o desempenho de seu principal índice, o Ibovespa.

Um levantamento da Elos Ayta Consultoria mostra que o volume financeiro médio diário negociado no mercado à vista da B3 atingiu, em janeiro de 2026, cerca de R$ 22,5 bilhões, considerando dados parciais até o dia 20 deste mês. Esse é o maior patamar mensal desde junho de 2023.

Ao mesmo tempo, a entrada líquida de recursos de investidores estrangeiros já soma R$ 12,35 bilhões até o dia 21 de janeiro.

Estamos falando do melhor desempenho para um mês desde dezembro de 2023, marcando uma inflexão clara em relação ao padrão observado ao longo de 2024 e parte de 2025.

Segundo Einar Rivero, CEO da Elos Ayta e especialista em dados de mercado, os números sinalizam uma mudança estrutural na percepção do investidor internacional sobre o Brasil.

“O mês de janeiro de 2026 marca uma inflexão relevante para o mercado brasileiro. [...] Essa combinação de fluxo externo e liquidez reforça a percepção de que o Brasil voltou de forma mais consistente ao radar do investidor global”, afirma Rivero.

Esse binômio, entrada líquida de capital estrangeiro e aumento do volume negociado, teve impacto direto sobre o principal índice da Bolsa.

Até o fechamento de 23 de janeiro, o Ibovespa renovou suas máximas históricas em seis oportunidades, dando sequência a um movimento que já havia sido observado em 2025, quando o índice bateu recordes em 32 pregões ao longo do ano.

O desempenho recente vai além de recordes pontuais. Ele reflete um ambiente de mercado mais líquido e melhor formação de preços. Em períodos como esse, a presença do investidor estrangeiro tende a reduzir distorções, diminuir prêmios de risco e tornar o mercado mais eficiente.

Para Rivero, os efeitos são estruturais tanto para o investidor quanto para a Bolsa brasileira.

“Mais do que recordes pontuais, esses dados têm implicações estruturais. Para o investidor, indicam um ambiente de maior liquidez, melhor formação de preços e redução dos prêmios de risco", diz.

"Para a bolsa brasileira, sinalizam maior profundidade de mercado, fortalecimento institucional e uma integração mais intensa da B3 aos fluxos globais de capital, reforçando seu papel como principal plataforma de renda variável da América Latina”, pontua.

O desafio, daqui para frente, será a sustentabilidade desse movimento ao longo de 2026.

Ela dependerá de fatores como o cenário de juros internacionais, o crescimento global e a condução da política fiscal doméstica. Ainda assim, os dados de janeiro deixam um recado claro: o investidor estrangeiro voltou a olhar para o Brasil.

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