Análise: Com ausência do candidato do PT, Lula é esquecido em debate em MG
Primeiro embate entre candidatos, sinaliza palanque duplo de Flávio Bolsonaro no estado

As estratégias dos candidatos ao governo de Minas Gerais ficaram claras logo no primeiro bloco do debate eleitoral da Band Minas, neste domingo (16), ditando o tom que os postulantes devem adotar na campanha eleitoral.
Com a ausência do ex-ministro Patrus Ananias (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quase não foi citado, sendo lembrado apenas ao final do debate pelo senador Cleitinho (Republicanos), que também citou o candidato à Presidência pelo PL.
O parlamentar protagonizou um anúncio inesperado: disse que, apesar de não ter aliança formal, não está neutro na corrida nacional e apoia Flávio Bolsonaro (PL) para o Palácio do Planalto.
Mesmo se declarando um candidato de direita, durante a maior parte do tempo, Cleitinho (Republicanos) apostou na atração de votos também da esquerda, ao defender projetos populares entre servidores e contribuintes, além de citar o combate a privilégios.
O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) manteve a postura de figura polêmica e disparou críticas para todos os lados.
O ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais), Flávio Roscoe, puxou a brasa para si e tentou reforçar a importância da gestão, se pautando pela experiência à frente de entidades como a Fiemg, Sesi e Senai.
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), aproveitou as oportunidades para tentar elencar entregas da gestão que herdou de Romeu Zema, candidato ao Planalto pelo Novo.
E o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) não poupou alfinetadas aos concorrentes, focando em demonstrar conhecimento sobre o estado e sobre as propostas dos adversários.
Patrus Ananias, do PT, justificou a ausência afirmando que já tinha se comprometido a participar do lançamento da campanha do presidente Lula em São Paulo.
Para gregos e troianos
Favorito nas pesquisas de intenção de votos, Cleitinho adotou a linha de reforçar a necessidade do diálogo.
O parlamentar falou em “esquecer ideologia” e conversar “independente de quem for o presidente”.
Conhecido por usar cotidianamente camisas de time, Cleitinho mais uma vez recorreu ao simbolismo e usou uma camisa de Minas Gerais, feita especificamente para ele por uma marca de produtos esportivos, com o mapa do estado desenhado no peito contendo a bandeira de Minas.
O senador reforçou propostas de revisão de isenção fiscal (uma das principais polêmicas do governo do estado), cobrança de IPVA para veículos (ele é autor de um projeto de isenção para cargos antigos) e privatização de estatais.
O parlamentar também usou o recurso da autocrítica corporativa, estratégia conhecida de aproximação do eleitorado.
Cleitinho citou o salário dos políticos e o dele próprio, de R$ 40 mil, para defender o reajuste do salário dos professores e voltou várias vezes no tema segurança pública fazendo um aceno aos servidores da área e se posicionando contra o uso de câmeras em uniformes de policiais.
Metralhadora giratória
O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), partiu para o ataque, criticando a atual gestão estadual, o Senado e o governo federal.
Praticamente, dominou o disparo de frases polêmicas: chamou o governador de “pai da mentira”, perguntou se ele "estava em Nárnia", disse que Gabriel Azevedo “fala bem no microfone, mas nunca administrou nada” e afirmou que não leu o próprio plano de governo porque está debatendo as propostas. “Quem bom que você leu, porque eu não li”, afirmou.
Kalil focou em alvejar Cleitinho sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que foi gestado e aprovado no Senado. Na avaliação do pedetista, o plano agrava a crise fiscal a longo prazo.
Esquerda no alvo
O atual governador, Mateus Simões (PSD), tentou usar perguntas de gancho para dar publicidade a ações do próprio governo e investiu nas críticas ao governo federal dizendo que a “esquerda passa pano” para o governo federal.
Gestão
Flávio Roscoe (PL) tentou bater na tecla de “gestão” e “união sem interesse partidária”.
Interpelado pelos colegas, o empresário não fugiu aos temas polêmicos e defendeu privatizações, incentivos fiscais e ampliação do ensino técnico, fundamental para produção de mão de obra para a indústria.
O ex-presidente da Fiemg também levantou o tema “terras raras”.
Dedo na ferida
O ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) tentou explorar o que considera pontos frágeis de seus adversários, alfinetando a formação de chapa de Cleitinho, questionando Flávio Roscoe sobre sustentabilidade da indústria mineradora e acusando a gestão atual de ter integrantes envolvidos em casos de corrupção.
O ex-parlamentar colocou o dedo na ferida de Kalil e disparou: “Todo mundo sabe que você não consegue se controlar”.
Azevedo acusou Simões de trair as forças de segurança de Minas Gerais, ao não cumprir o acordo de aumento salarial e responsabilizou o governador pela expansão das facções criminosas no estado. O ex-parlamentar se valeu do fato de ser professor e filho de policial para legitimar a defesa das duas categorias.
Resumo da Ópera
No final das contas, Cleitinho tentou atrair para si eleitores dos dois pólos e. Kalil se esforçou para manter antigos eleitores da esquerda sem se declarar um candidato desse campo político.
Já Roscoe focou na necessidade de gestão e teve que justificar a importância de pautas pouco palatáveis como os incentivos fiscais.
Simões tentou divulgar os feitos do governo Zema e Azevedo explorou os pontos frágeis dos adversários. A ausência de Patrus fez com que o PT fosse, praticamente, esquecido no debate.
Com a memória ainda viva das máculas do governo de Fernando Pimentel (PT), que terminou em 2018, o não comparecimento do petista pode ter poupado o ex-ministro e o presidente Lula de um desgaste logo na largada.



