Elijonas Maia
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Maranhense radicado em Brasília, cobre investigações policiais e os bastidores da segurança pública há 15 anos

Remédios contra câncer foram contrabandeados da Argentina, diz delegado

Otávio José Lima de Oliveira explica como organização criminosa introduziu de forma clandestina medicamentos no Brasil e revendia a hospitais

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O delegado da Polícia Federal Otávio José Lima de Oliveira detalha que o grupo alvo da operação Bula Fria, nesta quinta-feira (2), contrabandeou medicamentos de combate ao câncer da Argentina e vendeu os medicamentos em hospitais brasileiros.

“Durante as investigações conseguimos identificar que a origem dos medicamentos tratava-se de um lote oriundo da Argentina. Verificamos que alguns hospitais no Brasil receberam esse lote”, explicou.

As investigações revelaram o esquema estruturado de introdução clandestina de medicamentos com enfoque em fármacos oncológicos de alto custo, a exemplo do Keytruda (pembrolizumabe).

Segundo o delegado, a caixa desse remédio varia entre R$ 30 mil a R$ 40 mil e o grupo “esquentava” para revender a hospitais brasileiros, para dar aparente legalidade.

O caso começou a ser investigado após uma denúncia e suspeita do rótulo em espanhol - sem tradução - nos frascos dos medicamentos.

Além da origem clandestina, a PF constatou que os medicamentos eram armazenados e transportados sem o controle de temperatura adequado, o que representa um grave risco de deterioração do princípio ativo e, consequentemente, de ineficácia terapêutica e danos à saúde pública.

Os responsáveis, dois empresários do ramo farmacêutico, e duas empresas, foram alvos da PF nesta quinta, com cumprimento de quatro mandados de buscas e apreensões em São Paulo e Goiás. O MPF (Ministério Público Federal), a Receita Federal do Brasil e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também participaram da ação.