PF diz que Marcinho VP mantém domínio de internet do CV em complexos
Família do líder da facção fluminense, preso há 30 anos, é alvo da PF nesta segunda; ação bloqueia R$ 558 milhões

A PF (Polícia Federal) diz no inquérito Backbone que Márcio Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, mantém o controle territorial dos complexos da Penha, do Alemão e Chapadão, no Rio de Janeiro, no fornecimento de internet do CV (Comando Vermelho) aos moradores dos locais por meio de ameaças.
Marcinho VP está no Sistema Penitenciário Federal, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Ele está fora das ruas desde a década de 90.
“As investigações apontam que um dos líderes de longa data da facção, preso há quase três décadas e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, continuam a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção”, diz a investigação.
Os lucros, segundo investigadores, chegavam à família de Marcinho VP por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão – pagos em dinheiro vivo – e criptoativos.
Nesta segunda-feira (19), a mulher de Marcinho VP e mãe do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, foi presa na operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
O filho deles, Lucas Nepomuceno, também foi preso. A PF aponta Lucas como o gerente do controle do fornecimento de internet.
A ação busca desarticular estrutura ligada ao Comando Vermelho que, por meio do uso de armas e ameaças, impõe monopólio do fornecimento de internet nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão.
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De acordo com as investigações, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a chamada “internet do tráfico”. Os provedores autorizados pela facção pagam mensalmente uma “tarifa” pelo direito de operar no território.
Na ação de hoje, policiais federais cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Também foi determinado o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto.



