Como atuava a milícia digital supostamente ligada ao ex-prefeito de Macapá
Dr. Furlan (PSD), blogueiros e agência de publicidade foram alvos de operação que investiga desvio de R$ 25 milhões

A Polícia Federal deflagrou a operação “Palanque Digital” nesta terça-feira (26), em que aponta a existência de uma rede digital, espécie de “milícia digital”, criada para desinformação, autopromoção política e ataques a adversários no estado do Amapá.
As investigações apontam que os valores de R$ 25 milhões destinados à comunicação pública da Prefeitura de Macapá teriam sido desviados de sua finalidade original para custear influenciadores digitais, veículos e empresas de comunicação para a divulgação de ações de caráter político-eleitoral.
O ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), foi alvo das buscas. Ele deixou a Prefeitura de Macapá em março, um dia após ser alvo de outra operação, que apura suposta fraude em licitação para desviar R$ 70 milhões que deveriam ser aplicados em um hospital municipal.
A PF explicou que a organização se dividiria em sete núcleos. O mais importante deles seria o "núcleo estratégico e de comando", em que lideranças políticas orientavam a execução de campanhas promocionais e ofensivas, determinavam a intensificação de ataques, deliberavam a destinação de recursos e definiam as pautas e os alvos dos ataques.
A investigação aponta que esse grupo era ligado à Secretaria Municipal de Comunicação da Prefeitura de Macapá e a uma agência de publicidade suspeita de intermediar contratos e de repassar o direcionamento dos recursos públicos.
O montante era destinado diretamente ao núcleo “de mecanismo de financiamento”, depois ao “núcleo operacional”, que produzia artes, editava vídeos e áudios, usava inteligência artificial e deepfake, além de fazer disparos em massa no WhatsApp.
O núcleo da “rede de difusão de conteúdos”, segundo a PF, é composto por portais de notícias, blogs, podcasts, perfis fakes e influenciadores digitais.
A PF diz que a finalidade do esquema era influenciar a opinião pública do Amapá, desequilibrar a disputa eleitoral, obter vantagem político-eleitoral e favorecimento de candidatos.
A investigação apura a prática de crimes eleitorais, crimes contra a administração pública, organização criminosa, lavagem de dinheiro, entre outros delitos que possam ser identificados ao longo das investigações.
Após a operação, Dr. Furlan afirmou nas redes sociais estar tranquilo, disse que a verdade prevalecerá e criticou qualquer prática ligada à criação ou disseminação de notícias falsas.
“Práticas que atentam contra a verdade e a ética não refletem os nossos valores e nunca terão espaço em nossas ações”, declarou.


