Dark Horse: delator reforça voluntariedade de acordo a gabinete de Mendonça
Encontro de empresário durou cerca de três horas no STF; agora, cabe ao ministro homologar ou não o acordo feito com a PGR sobre pagamentos a filme de Jair Bolsonaro

O operador do mercado financeiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, se reuniu na tarde desta terça-feira (8) com o gabinete do ministro André Mendonça, do STF, e reforçou seu acordo de delação premiada.
Dono da Entre Investimentos e Participações, ele é investigado por envolvimento nas fraudes do Banco Master como responsável por receber dinheiro de Daniel Vorcaro para repassar para a produção do filme Dark Horse.
Segundo apuração da CNN, o delator participou da audiência com o juiz auxiliar de Mendonça e se dispôs voluntariamente a ser colaborador. O juiz questionou se ele não sofreu pressões.
Após essa etapa, que ocorreu entre 14h e 17h, o ministro relator do caso avalia o acordo fechado com a PGR para homologar ou não o acordo. Não há prazo para essa definição, mas a tendência é de que seja homologada a delação.
Essa audiência é uma etapa prevista na lei que rege as delações e que antecede a decisão do ministro.
Segundo apuração da CNN, o delator confirmou à PGR ter realizado, em 2025, transferências bancárias milionárias para um fundo, que somam mais de R$ 60 milhões. O conteúdo ainda é mantido sob sigilo.
Os pagamentos da empresa de “Mineiro” eram feitos ao Havengate Development Fund, um fundo americano que administrava o dinheiro para o “Dark Horse” e encaminhava os recursos para a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.
O fundo, sediado no Texas, teria como um dos administradores Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A colaboração premiada é a primeira envolvendo o caso “Dark Horse” e a segunda ligada à fraude financeira do Banco Master. Como a CNN mostrou, João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, também fechou acordo com a PGR. Nenhuma das duas teve a participação da PF (Polícia Federal).
As investigações do caso “Dark Horse” apuram se houve irregularidades no financiamento do filme e se todo o dinheiro repassado por Vorcaro foi direcionado para a produção. Uma das suspeitas é que parte dos recursos possa ter sido direcionada para Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado. O ex-deputado nega ter recebido repasses.
As parcelas pagas por Vorcaro para a produção do "Dark Horse" foram negociadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, que também nega ilegalidades.



