Fernanda Pressinott
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Fernanda Pressinott

Comanda o CNN Agro. Atua há mais de 25 anos em economia e agronegócio, com passagens pelo Valor Econômico, Globo Rural, Isto É e como comentarista na Globo News. Tem MBA pela FIA, Insper e FGV.

JBS acelera geração de caixa, mas vê alavancagem subir com pressão dos EUA

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A JBS encerrou o quarto trimestre de 2025 com um movimento misto entre melhora operacional no caixa e aumento da alavancagem, em meio à continuidade da pressão sobre a divisão de bovinos nos Estados Unidos.

A companhia registrou receita líquida de US$ 23,1 bilhões no período, alta de 15% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado somou US$ 1,7 bilhão, queda de 7% na mesma base. O lucro líquido ficou praticamente estável, em US$ 415 milhões.

Apesar da pressão nas margens, a geração de caixa foi um dos destaques do trimestre. O fluxo de caixa livre atingiu US$ 990 milhões, impulsionado por melhora no capital de giro, especialmente com o diferimento de pagamentos relacionados à compra de gado.

Por outro lado, a alavancagem financeira da companhia subiu e encerrou o trimestre em 2,4 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda, acima do nível de 1,9 vez observado um ano antes.

Ciclo do gado segue pressionando margens

O principal fator de pressão continua sendo a operação de carne bovina na América do Norte. No trimestre, a unidade registrou Ebitda de apenas US$ 56 milhões, com margem de 0,7%, refletindo o forte aumento no custo do gado.

Segundo a companhia, o preço dos animais seguiu avançando mais rapidamente do que os preços da carne, em um cenário de oferta restrita agravado por limitações na importação de gado do México ao longo do ano.

Esse desequilíbrio manteve as margens comprimidas mesmo diante de demanda resiliente nos Estados Unidos.

Diversificação sustenta resultados

A pressão na carne americana foi parcialmente compensada por outras unidades de negócio. Operações como a Pilgrim's Pride, além das divisões no Brasil e na Austrália, contribuíram para sustentar o resultado consolidado.

A estratégia de diversificação geográfica e de proteínas também se refletiu no crescimento de vendas em todas as unidades, com destaque para produtos de maior valor agregado, especialmente no segmento de alimentos preparados.

Caixa forte no trimestre, mas dinâmica estrutural ainda em ajuste

A forte geração de caixa no trimestre contrasta com a dinâmica mais pressionada ao longo do ano, quando o fluxo de caixa livre totalizou US$ 400 milhões.

O desempenho do quarto trimestre foi favorecido por fatores pontuais de capital de giro, o que pode limitar a recorrência desse nível de geração de caixa nos próximos períodos.

Ao mesmo tempo, o aumento da alavancagem indica que, apesar da melhora pontual no caixa, a companhia ainda enfrenta um ambiente operacional desafiador, especialmente enquanto o ciclo do gado nos Estados Unidos permanecer desfavorável.