Fernanda Pressinott
Blog
Fernanda Pressinott

Comanda o CNN Agro. Atua há mais de 25 anos em economia e agronegócio, com passagens pelo Valor Econômico, Globo Rural, Isto É e como comentarista na Globo News. Tem MBA pela FIA, Insper e FGV.

Na Agrishow, picapes ganham protagonismo e animam montadoras

Com expectativa de alta nas vendas e condições especiais de financiamento, segmento de utilitários cresce no agro enquanto modelos a diesel seguem líderes no campo

Compartilhar matéria

Na Agrishow, nem só de tratores e colheitadeiras vivem os negócios. Quem anda pelos corredores da feira em Ribeirão Preto percebe rapidamente: as picapes também viraram protagonistas.

Para muitos produtores, elas são tão essenciais quanto qualquer implemento agrícola — afinal, são parte da rotina dentro e fora da fazenda. E, neste ano, o clima para esse segmento está até mais animador do que para as máquinas pesadas.

Montadoras ouvidas durante o evento falam em um cenário otimista, com expectativa de crescimento de pelo menos 10% nas vendas em comparação com o ano passado. E esse ritmo já começou forte: só no primeiro dia, uma fabricante fechou cerca de 70 negócios.

O foco segue claro — picapes médias e grandes, pensadas para encarar o trabalho pesado no campo. “Nosso segmento é muito focado nessas categorias, e temos vendido muito bem aqui”, resume Rodrigo Lombardi, gerente regional da Volkswagen do Brasil.

Claro que nem tudo são flores. Os juros altos ainda pesam na decisão de compra, especialmente quando se trata de um investimento desse porte. Mas o agro continua tendo tratamento diferenciado — e isso faz diferença.

Uma das principais vantagens é o Finame, que permite ao produtor começar a pagar o veículo só depois de um período maior. Na prática, isso dá mais fôlego para quem precisa investir sem comprometer o caixa imediatamente.

Além disso, as montadoras estão jogando com várias cartas na manga: valorização do usado, condições especiais e taxas mais competitivas. “Sabemos que o investimento em um veículo é um desafio, por isso buscamos soluções que tornem o negócio mais atrativo”, explica Marcel Bueno, diretor de marketing da América Latina da Ford.

Os números ajudam a entender o momento. Segundo a Anfavea, as vendas de picapes caíram 2% em 2024, com pouco mais de 267 mil unidades comercializadas. Mas esse recuo tem um detalhe importante: quem puxou para baixo foram os modelos leves. Já as picapes maiores, usadas no dia a dia do campo, continuam firmes.

E quando o assunto é inovação, o produtor rural até observa — mas com cautela. Picapes híbridas chamam atenção, despertam curiosidade, mas ainda estão longe de dominar o mercado. Já os modelos 100% elétricos seguem em ritmo lento.

No fim das contas, a lógica no campo ainda é bem direta: precisa ser robusto, confiável e pronto para qualquer terreno. Por isso, independentemente das tendências globais ou do avanço tecnológico, o diesel segue reinando absoluto entre as picapes da Agrishow.