Natural One busca sócio para acelerar expansão global
Entrada de investidor é vista como caminho para financiar a próxima etapa de expansão da companhia.

A notícia de que a fabricante brasileira de sucos The Natural One avalia alternativas estratégicas, incluindo a entrada de um sócio, ocorre em um momento de forte crescimento da empresa. Segundo fontes a par do assunto ouvidas pela CNN, a companhia deve registrar expansão próxima de 60% neste ano, impulsionada principalmente pelo avanço das exportações.
Na quinta-feira (30), a Reuters informou que a empresa contratou Nomura e Itaú BBA para avaliar opções estratégicas, entre elas a venda de uma participação minoritária ou até mesmo da companhia. Procuradas pela agência, a Natural One e as instituições financeiras não comentaram.
Nos bastidores, porém, a percepção de pessoas próximas às discussões é de que o movimento está mais relacionado à busca de um parceiro para financiar uma nova etapa de crescimento do que a uma necessidade de venda do negócio.
Essa estratégia está alinhada ao plano de internacionalização que a empresa vem desenhando há alguns anos. Em entrevista ao LIDE, concedida em março, o fundador e presidente Ricardo Ermírio de Moraes afirmou que a companhia faturou R$ 1 bilhão em 2025, projetava crescer cerca de 30% em 2026 e já comercializava seus produtos em 11 países. Na ocasião, o executivo também destacou investimentos em marketing, ampliação da produção própria de frutas e o objetivo de consolidar a marca no exterior.
Segundo três fontes ouvidas pela CNN, o ritmo de expansão acabou superando as projeções iniciais da companhia, puxado principalmente pelas vendas externas.
A avaliação de pessoas próximas ao setor é que a empresa ainda possui amplo espaço para crescer fora do Brasil, especialmente em mercados além dos tradicionais Estados Unidos e Europa, onde o consumo de bebidas naturais continua avançando.
Outro diferencial apontado por fontes do mercado é o modelo de negócios da Natural One. Diferentemente de empresas que apenas compram o suco para envase, a companhia também realiza o processamento da fruta, capturando uma parcela maior do valor agregado da cadeia produtiva.
Essa característica é vista como uma vantagem competitiva justamente em um momento em que a indústria global de suco de laranja passa por transformações. Depois de anos de preços recordes da matéria-prima, provocados pela redução da oferta no Brasil e na Flórida, o consumo perdeu força em mercados tradicionais, tornando investidores mais seletivos em relação às empresas do segmento.
Na avaliação de fontes ouvidas pela CNN, porém, a Natural One chega ao mercado em uma posição diferente. Em vez de buscar recursos para enfrentar dificuldades operacionais, a companhia procura um parceiro capaz de acelerar sua expansão internacional, ampliar sua distribuição e sustentar um novo ciclo de crescimento.
Além do fundador Ricardo Ermírio de Moraes, a Gávea Investimentos é acionista minoritária da empresa desde 2017. Segundo a Reuters, o processo ainda está em fase inicial e deve despertar o interesse tanto de fundos de private equity quanto de companhias do setor de bebidas.
