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    Fernando Nakagawa

    Fernando Nakagawa

    Repórter econômico desde 2000. Ex-Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Paulistano, mas já morou em Brasília, Londres e Madri

    Embraer avalia avião maior para concorrer com Airbus e Boeing; não há nada “neste momento”, diz empresa

    Empresa brasileira diz que tem capacidade técnica, mas que “não tem nenhum plano para um ciclo considerável de investimentos neste momento”

    Embraer avalia avião maior para concorrer com Airbus e Boeing; não há nada “neste momento”, diz empresa
    Embraer avalia avião maior para concorrer com Airbus e Boeing; não há nada “neste momento”, diz empresa

    A Embraer já planeja os voos da próxima década. Uma das possibilidades que ganhou força nos últimos meses é o desenvolvimento de um novo avião de maior porte para concorrer com os modelos mais populares no mundo: o Airbus 320 e o Boeing 737. A Embraer diz que tem capacidade técnica, mas que o tema não faz parte da agenda “neste momento”.

    Ontem (1), feriado no Brasil, o mundo da aviação foi impactado pela notícia publicada pelo The Wall Street Journal: “Embraer planeja novo jato para rivalizar com Boeing”.

    A notícia trouxe detalhes do que o mundo da aviação discute há muito tempo: quem vai tentar concorrer com o duopólio da Airbus e Boeing, especialmente diante da crise enfrentada pelo modelo 737 Max, da Boeing.

    A Embraer não nega que tenha capacidade de fabricar um modelo maior no futuro. A única ressalva que a empresa de São José dos Campos faz é sobre o momento do projeto.

    “A Embraer certamente tem capacidade para desenvolver uma nova aeronave de corredor único”, diz um porta-voz da empresa à CNN.

    Os aviões de corredor único – ou narrow body, no jargão do setor – são os mais populares do mundo para rotas de curto e médio alcance. Os modelos normalmente têm dois motores e capacidade média de 200 lugares. Atualmente, o maior avião Embraer leva 146 passageiros.

    “No entanto, a companhia tem hoje uma linha de produtos nova e de muito sucesso desenvolvida nos últimos anos e estamos focados na comercialização dessas aeronaves para fazer a companhia crescer e se fortalecer. A Embraer não tem nenhum plano para um ciclo considerável de investimentos neste momento”, diz o porta-voz.

    Os estudos da Embraer devem resultar em um novo projeto no fim do próximo ano ou em 2026. Há possibilidade de que o trabalho chegue a um dos dois novos produtos: avião maior para concorrer com Airbus ou Boeing; ou um novo jato executivo de maior alcance.

    Na reportagem, o WSJ cita que a Embraer já teria feito contato com potenciais parceiros, como o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, que poderia ser um dos investidores do projeto.

    Também teriam sido contatados potenciais indústrias para ampliar a lista de fornecedores de componentes em mercados como a Turquia, Coreia do Sul e Índia. Atualmente, a maioria dos fornecedores da Embraer fica nos Estados Unidos, Europa e Brasil.

    Em São José dos Campos, esses detalhes também não são negados.

    A possibilidade desses novos parceiros traz um aspecto interessante: no mundo com conflitos geopolíticos em ascensão, os países procurados pela Embraer são membros da Otan (Turquia) ou países próximos ao grupo (Arabia Saudita, Coreia do Sul e Índia).

    A escolha faz sentido especialmente diante da tentativa da China de avançar nesse mesmo mercado com um modelo comparável ao A320 e B737, o Comac 919.

    Antes de qualquer decisão, um dos maiores clientes da Embraer e a maior empresa aérea do mundo em passageiros e receitas, a American Airlines, já deixou claro que entende que os brasileiros têm o que oferecer e a ensinar no concorrido mundo da aviação.

    Há poucas semanas, o CEO da American, Robert Isom, disse que conversou com executivos da Boeing e pediu que eles se organizem após a crise do modelo Boeing 737 Max.

    Em uma teleconferência com analistas e investidores, o executivo citou a Embraer como empresa que funcionou bem durante toda a pandemia e que não interrompeu os trabalhos mesmo no pior momento de gargalo da cadeia de suprimentos. “Eles (Boeing) podem aprender muito com ela (Embraer)”, disse o CEO da American Airlines.