Fernando Nakagawa
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Fernando Nakagawa

Repórter econômico desde 2000. Ex-Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Paulistano, mas já morou em Brasília, Londres e Madri

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Davos em alerta: Calote do Master no BRB pode drenar liquidez do FGC

Banqueiros dizem que o problema é matemático; conta do Banco de Brasília não fecha porque patrimônio cobre um terço do prejuízo com Master

  • Imagem gerada por inteligência artificial
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A situação bancária brasileira aterrissou nos corredores do Fórum Econômico Mundial. Executivos brasileiros do setor financeiro acompanham com apreensão a situação do Banco de Brasília (BRB) após o calote do Banco Master.

Em Davos, um temor ouvido é que uma eventual dificuldade da instituição estatal drene a liquidez restante do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Se confirmada, a situação deve culminar em mudanças no funcionamento do Fundo.

Banqueiros dizem que o problema no BRB é matemático e era visto como “questão de tempo”.

A conta não fecha: em setembro de 2025, o banco possuía um patrimônio líquido de R$ 4,3 bilhões. No entanto, a exposição a carteiras problemáticas do Master gerou um rombo potencial de R$ 12,2 bilhões.

Ou seja: o capital do banco cobre apenas um terço do prejuízo estimado.

Se não houver fôlego financeiro, a conta sobrará para o FGC. E o cenário é delicado. O Fundo já lida com o maior resgate de sua história — estimado em R$ 41 bilhões — o que pressiona seu patrimônio atual de R$ 125 bilhões.

Uma intervenção no BRB adicionaria bilhões a essa conta, testando a robustez do sistema.

A exposição do BRB é massiva. Em setembro, a instituição detinha R$ 1,5 bilhão em depósitos à vista, R$ 2,8 bilhões na poupança e expressivos R$ 47,6 bilhões em depósitos a prazo (como CDBs).

Em nota divulgada ontem, o BRB nega riscos. A instituição reafirmou sua “suficiência patrimonial”, garantindo que opera com solidez e sem risco de intervenção.

O banco classificou números extraoficiais como “especulativos” e informou que aguarda a conclusão de auditorias do Banco Central e do escritório Machado Meyer nas próximas semanas.

Procurado, o FGC não comentou.

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