Davos em alerta: Calote do Master no BRB pode drenar liquidez do FGC
Banqueiros dizem que o problema é matemático; conta do Banco de Brasília não fecha porque patrimônio cobre um terço do prejuízo com Master

A situação bancária brasileira aterrissou nos corredores do Fórum Econômico Mundial. Executivos brasileiros do setor financeiro acompanham com apreensão a situação do Banco de Brasília (BRB) após o calote do Banco Master.
Em Davos, um temor ouvido é que uma eventual dificuldade da instituição estatal drene a liquidez restante do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Se confirmada, a situação deve culminar em mudanças no funcionamento do Fundo.
Banqueiros dizem que o problema no BRB é matemático e era visto como “questão de tempo”.
A conta não fecha: em setembro de 2025, o banco possuía um patrimônio líquido de R$ 4,3 bilhões. No entanto, a exposição a carteiras problemáticas do Master gerou um rombo potencial de R$ 12,2 bilhões.
Ou seja: o capital do banco cobre apenas um terço do prejuízo estimado.
Se não houver fôlego financeiro, a conta sobrará para o FGC. E o cenário é delicado. O Fundo já lida com o maior resgate de sua história — estimado em R$ 41 bilhões — o que pressiona seu patrimônio atual de R$ 125 bilhões.
Uma intervenção no BRB adicionaria bilhões a essa conta, testando a robustez do sistema.
A exposição do BRB é massiva. Em setembro, a instituição detinha R$ 1,5 bilhão em depósitos à vista, R$ 2,8 bilhões na poupança e expressivos R$ 47,6 bilhões em depósitos a prazo (como CDBs).
Em nota divulgada ontem, o BRB nega riscos. A instituição reafirmou sua “suficiência patrimonial”, garantindo que opera com solidez e sem risco de intervenção.
O banco classificou números extraoficiais como “especulativos” e informou que aguarda a conclusão de auditorias do Banco Central e do escritório Machado Meyer nas próximas semanas.
Procurado, o FGC não comentou.



