Empréstimo para CLT: Demanda estimulará bancos a emprestarem, diz governo
Ritmo da aprovação de empréstimos segue lento, e apenas 0,36% das solicitações se transformaram em dinheiro na conta do trabalhado

O ritmo de aprovação de crédito consignado não é encarado como um problema no Ministério do Trabalho. Em nota enviada à CNN, a pasta cita que o elevado interesse dos trabalhadores “deve estimular o ingresso de mais instituições”.
Em funcionamento desde a sexta-feira (21), a nova plataforma para concessão de crédito consignado aos trabalhadores CLT tem registrado elevadíssimo interesse dos trabalhadores. A concessão de crédito, porém, tem sido marginal.
Até a noite de ontem (24), o sistema Dataprev registrava 52,5 milhões de simulações. A partir dessas informações, trabalhadores solicitaram 6,1 milhões de propostas para tomar crédito. Ou seja, são pessoas que, diante da simulação, querem realizar o empréstimo.
Dessas solicitações, apenas 22,5 mil operadores de crédito foram concluídas e resultaram em dinheiro na conta corrente dos clientes. O total de operações aprovadas, portanto, equivale a 0,36% das solicitações.
O porcentual é considerado baixo por executivos do setor financeiro, que citam a estratégia cautelosa de bancos privados e fintechs de grande porte – que não estariam concedendo crédito na plataforma.
Em nota à CNN sobre o tema, o MTE diz que o programa iniciou as suas operações na sexta-feira (21) “com 24 instituições habilitadas, das 40 homologadas junto à Dataprev”. Até ontem, eram 33 instituições habilitadas.
“A tendência é a ampliação das instituições que deverão procurar a Dataprev para serem homologadas e o MTE para contar com a habilitação. O vigor do programa desde a sexta-feira deve estimular o ingresso de mais instituições”, cita o Ministério.
A nota lembra que “programas de consignação federais levaram mais de 10 anos para contar com cerca de 80 instituições financeiras habilitadas”. Portanto, o ritmo está dentro do esperado.
“O MTE e a Dataprev têm canal aberto com todas as entidades que representam as instituições consignatárias e têm contado com a contribuição ativa dessas entidades para implementar com rapidez e eficiência eventuais pequenos aprimoramentos, caso ocorram”, cita a nota.
Um dos problemas citados por executivos do setor bancário é o cálculo da margem consignável. A regra prevê que os trabalhadores poderão comprometer até 35% do salário.
A plataforma Dataprev informa esse limite conforme o salário bruto dos interessados, mas o mercado de crédito tem como praxe usar o salário líquido na conta. A diferença, explicam executivos do setor, pode aumentar bastante o risco da operação.
Na nota, o Ministério não comentou o caso específico citado pelos executivos do setor.



