Fernando Nakagawa
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Fernando Nakagawa

Repórter econômico desde 2000. Ex-Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Paulistano, mas já morou em Brasília, Londres e Madri

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Estrangeiros nunca gastaram tanto no Brasil, especialmente nas férias

Dados do Banco Central revelam que viajantes deixaram US$ 7,82 bilhões em 12 meses; valor é 30% maior que visto na Copa de 2016

Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP  • 12/01/2022REUTERS/Roosevelt Cassio
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O Brasil está na moda. Viajantes estrangeiros nunca gastaram tanto por aqui e o perfil mudou: o fluxo de turistas cresce muito mais que a entrada dos visitantes a negócios. Viagens a passeio já geram US$ 4 a cada US$ 1 das visitas a trabalho.

Dados do Banco Central revelam que nos últimos 12 meses estrangeiros deixaram US$ 7,82 bilhões no Brasil. Esse é o total gasto na economia, em despesas como companhias aéreas, hotéis, passeios, restaurantes e lojas.

O BC acompanha o indicador porque faz registro de todas as operações em moeda estrangeira – como no cartão de crédito ou casas de câmbio.

O valor registrado pelo BC é o maior da série histórica. Até mesmo os grandes eventos globais – como a Copa do Mundo e a Olimpíada no Rio – ficaram para trás.

Em junho, a receita do turismo internacional acumulada em 12 meses foi 30% maior que a vista no total de 2014, ano da Copa do Mundo, e 67% superior à soma de 2016, quando o Rio recebeu os Jogos Olímpicos.

O boom do turismo internacional acontece com uma interessante mudança de perfil. Há uma década, a geração de dólares via estrangeiros em viagens a trabalho e a turismo era próxima. Ou seja, os grupos gastavam cifras parecidas.

Nos últimos anos e sem prejuízo das viagens a trabalho, essa distância cresceu – e muito – a favor do turista a passeio.

Em 2013, as receitas obtidas com estrangeiros a passeio não representavam nem o dobro do gerado por viajantes a negócios: naquele ano, a cada US$ 1 gasto nas viagens a trabalho, turistas gastavam US$ 1,9.

Hoje, turistas já gastam US$ 4 em hospedagens, passeios, feijoadas e caipirinhas a cada US$ 1 dos que visitam o Brasil a trabalho.

Boom TikTok

Os números comprovam um fenômeno visto nas redes sociais, especialmente no TikTok e Instagram. Por lá, inúmeros perfis de estrangeiros contam – em várias línguas – como é visitar o Brasil.

Praias, cidades, metrô, samba, forró, água de coco, caldo de cana, jaca e até atendimento no SUS. Tudo vira tem para postagens nas redes sociais.

Dados do Google Trends – que mede o interesse nas buscar por termos específicos – mostram que a busca por termos como “Brazil travel” (viagem Brasil), “Brazil flights” (voos Brasil) e “Brazil visa” (visto Brasil” nunca foram tão populares na internet.

No sistema do Google, o interesse por determinado tema é medido em uma escalda de zero a 100. O valor máximo representa o pico da popularidade do termo nas buscas na internet.

Números do Ministério do Turismo mostram que o Brasil recebeu 5,9 milhões de turistas estrangeiros de janeiro a julho de 2025. O grupo é 47,5% maior que o visto em igual período do ano passado.

A América do Sul continua como grande origem dos turistas – e 3,7 milhões de visitantes vieram dos países da região, especialmente Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.

Da Europa, foram 532 mil turistas que desembarcaram no Brasil no ano, com destaque para França, Portugal, Alemanha e Reino Unido. Dos EUA, foram outros 465 mil viajantes.

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Uma publicação compartilhada por Regan Zanes | Gringo in Brazil (@thegringoinbrazil)

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