Fernando Nakagawa
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Fernando Nakagawa

Repórter econômico desde 2000. Ex-Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Paulistano, mas já morou em Brasília, Londres e Madri

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PIB da Venezuela chegou a cair 90% com Chávez e Maduro

No início da década, o PIB per capita venezuelano regressou ao patamar de 1973

  • Imagem gerada por IA
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Houve um tempo em que a Venezuela era o vizinho rico da América do Sul e símbolo da prosperidade. As políticas econômicas de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, no entanto, implodiram o cenário. A perda de riqueza da população venezuelana nas últimas décadas é comparada apenas às nações em guerra.

Dados do Banco Mundial mostram que a Venezuela surfou na alta das commodities nos anos 2000. O PIB per capita saltou de US$ 4.776 no ano 2000 para um pico de US$ 13.646 em 2010. Foi o auge da era Hugo Chávez, sustentada por um barril de petróleo a preços recordes.

No entanto, por trás dos números superlativos, a fundação da economia estava sendo corroída. A decisão política de centralizar a economia no Estado, iniciada por Chávez e aprofundada por Nicolás Maduro, cobrou seu preço nos anos seguintes.

A onda de nacionalizações, que atingiu desde a gigante do petróleo PDVSA até setores de alimentos, telecomunicações e manufatura, desmantelou a capacidade produtiva do país.

A gestão política de empresas resultou em ineficiência, corrupção e fuga de capitais. O chavismo acreditava que continuaria sendo financiado permanentemente pelo “ouro negro” do petróleo.

Mas o que aconteceu foi o contrário. Enquanto o mundo avançava, a Venezuela engatou uma marcha ré histórica.

E, assim, quando os preços do petróleo começaram a cair, a gestão chavista apareceu nos números.

De 2012 – no início do governo Maduro após a morte de Chávez – a 2020, o PIB per capita desabou de US$ 12.607 para US$ 1.506. Em menos de uma década, a riqueza média do venezuelano encolheu quase 90%.

Para se ter uma ideia da magnitude dessa destruição de riqueza: em 2020, o PIB per capita da Venezuela, de US$ 1.506, regressou a patamares nominais próximos aos de 1973. Foram 50 anos de progresso apagados em uma década de crise.

A tragédia venezuelana ganha contornos ainda mais dramáticos quando colocada lado a lado com a China ou até mesmo do Brasil.

Em 1990, a China tinha um PIB per capita de apenas 13% do visto na Venezuela. Eram US$ 319 anuais de cada chinês contra US$ 2.452 produzidos por cada venezuelano.

Os números do Brasil também mostram essa diferença. Em 1960, o PIB per capta brasileiro, de US$ 235, era apenas um terço do visto no país vizinho ao norte.

Desde então, a história é conhecida.

Em 2024, a China registrava um PIB per capta de US$ 13.303, enquanto a Venezuela registrava US$ 4.218.

No auge do chavismo, o PIB brasileiro – também beneficiado pelas commodities - já estava próximo, e representava 80% da riqueza per capta venezuelana.

No mesmo ano, o indicador brasileiro já era mais de duas vezes o visto na Venezuela: US$ 10.311 no Brasil.

O país atacado pelos Estados Unidos até teve uma recente recuperação do indicador, mas continua tendo a riqueza de um terço do que já foi no passado próspero.

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