Fernando Nakagawa
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Fernando Nakagawa

Repórter econômico desde 2000. Ex-Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Paulistano, mas já morou em Brasília, Londres e Madri

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As lições do Master para plataformas de investimento e nós, a imprensa

Episódio revela conflito de interesses dos que ganharam comissão com os CDBs do banco; mídia e influencers precisam lembrar da equação retorno versus risco

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Logo do Master  • Ilustração gerada por IA
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O desfecho do caso Master é um dos fatos mais aguardados – e esperados – na história recente do mercado financeiro. A liquidação não pega ninguém de surpresa, mas deixa lições importantes para a indústria de investimentos e a própria imprensa.

A agressividade comercial do banco Master sempre chamou atenção no mercado financeiro. A casa era encarada com ressalvas por parte da Faria Lima, enquanto outros preferiam ver o copo meio cheio, já que ganharam – e muito – com a instituição financeira.

O Master ficou conhecido pela voracidade na captação de recursos. Para atrair dinheiro, o banco oferecia exatamente o que investidores queriam: juros. CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com 120%, 140%, 160% do CDI passaram a ser comuns na estratégia do banco.

Um papel desse tipo poderia ficar esquecido no aplicativo das plataformas de investimento. Mas ocorreu exatamente o contrário: os papéis do banco apareciam em destaque.

Tal visibilidade não era de graça. Muito pelo contrário: era resultado das condições comerciais acertadas com o Master. A cada CDB emitido, as plataformas de investimento – que deveriam proteger os interesses dos clientes – ganhavam mais. Em outras palavras: claro conflito de interesses.

Essa é a primeira lição: a indústria de investimentos deveria repensar sua política de remuneração e como isso é comunicado. No mínimo, o investidor precisa saber que o produto está em destaque porque oferece maior comissão ao próprio agente de investimento.

O papel da imprensa – e das redes sociais

Aos incautos investidores – muitos deles de primeira viagem –, o retorno muito acima do mercado era um grande chamariz. Aos que ficavam desconfiados, a propaganda vinha sempre com a lembrança de que aquele CDB era garantido pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Ou seja, parecia um negócio perfeito: rentabilidade muito acima do mercado e com a proteção do FGC. E foi assim, com as letrinhas do Fundo como muleta, que o banco captou como poucos nos últimos anos.

É aí que a imprensa e os influencers que pululam na internet poderiam ter feito um trabalho mais forte, mais claro.

No mundo da renda fixa, há um mantra: riscos maiores geram retornos maiores. Não há como fugir dessa lógica. Essa equação – que neste texto parece óbvia – não gera a mesma reação racional quando se tem dinheiro na conta e busca-se um investimento. Nessas horas, o risco costuma ser minimizado.

E é papel da imprensa – além das centenas de influencers de finanças – de alertar para os riscos. Toda operação financeira tem algum nível, e é sempre preciso ponderar a equação entre risco e retorno. Nessa, falhamos.

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