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    Fernando Nakagawa

    Fernando Nakagawa

    Repórter econômico desde 2000. Ex-Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Paulistano, mas já morou em Brasília, Londres e Madri

    Participação do etanol nos combustíveis cai pela metade; preço e até fake news podem explicar

    Opção voltou a ser mais competitiva que gasolina, mas demanda demora a reagir e gera dúvida no setor

    Participação do etanol nos combustíveis cai pela metade; preço e até fake news podem explicar
    Participação do etanol nos combustíveis cai pela metade; preço e até fake news podem explicar

    A participação do etanol no mercado de combustíveis caiu pela metade nos últimos anos. Em 2019, o produto da cana-de-açúcar respondeu por 29% de todo o combustível de veículos no país. No ano passado, a fatia foi de 20%. A percepção de que a gasolina está barata e até a propagação de notícias falsas têm prejudicado a demanda.

    O mercado de etanol tem vivido um momento de dúvida. O combustível voltou a ser mais competitivo que a gasolina no centro-sul do país, mas a demanda não tem reagido como aconteceu no passado.

    E o fenômeno tem chamado atenção de executivos da indústria sucroalcooleira.

    No início do mês, uma das maiores fabricantes de etanol do país, a São Martinho, divulgou queda do lucro no trimestre e citou que, entre as razões, estava o menor volume de etanol vendido no Brasil.

    Especialistas do setor acreditam que a demanda não reage porque a maioria dos consumidores ainda não percebeu a vantagem financeira da troca.

    Essa vantagem segue uma regra simples: se o preço estiver 70% abaixo da gasolina, compensa escolher o etanol. Essa vantagem matemática é explicada pelo fato de que essa alternativa rende cerca de 30% menos que o combustível fóssil.

    Feita a conta, a vantagem existe há vários meses em grandes regiões consumidoras, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Mesmo assim, muitos continuam pedindo gasolina.

    Executivos do setor citam a “falsa impressão” de que a gasolina está barata. Como o litro já custou mais de R$ 7 no pós-pandemia, o valor atual — na média nacional de R$ 5,75 — pode gerar a percepção de que “está barata”.

    Outra hipótese ouvida é que mais motoristas estariam propensos às fake news relacionadas ao uso do etanol.

    Nas redes sociais e grupos de discussão de carros, não são raros comentários sobre supostos problemas mecânicos no uso do etanol. É uma velha história que volta com alguma frequência. Nesse caso, parece que mais motoristas estariam propensos a acreditar.

    Na indústria do etanol, porém, todos são unânimes em afirmar que o uso do combustível renovável não gera problemas mecânicos e as montadoras instaladas no Brasil dominam totalmente a tecnologia.

    Diante dessa dúvida sobre a demanda que não reage, o setor sucroalcooleiro veicula atualmente até uma campanha publicitária para tentar despertar o consumidor de etanol que existe nos motoristas.

    Há sinais de que, nos últimos dias, alguns mudaram de ideia: a demanda dá sinais de crescimento na casa de 30% a 40% na comparação com um ano antes. Mesmo assim, o uso do antigo álcool está longe do que foi há pouco tempo.