Fernando Nakagawa
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Fernando Nakagawa

Repórter econômico desde 2000. Ex-Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Paulistano, mas já morou em Brasília, Londres e Madri

Pecuaristas propõem “vale carne” de R$ 35 por mês

Plano entregue ao governo prevê cartão para famílias em situação de extrema pobreza que permitiria comprar exclusivamente carne em redes do varejo conveniadas

Carne em açougue de Minas Gerais
MG - BELO HORIZONTE/PREÇO/CARNE - GERAL - Carne nos açougues de Belo Horizonte, em Minas Gerais, aumentam ainda mais nesta segunda- feira, 27 de setembro de 2021. Na capital mineira, os consumidores estão comprando cortes que antigamente eram "desprezados" por grande parte da população, segundo pesquisa realizada pelo site especializado Mercado Mineiro. 27/09/2021 - Foto:   • Lucas Prates/Hoje em Dia/Estadão Conteúdo
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O governo federal analisa, mas parece que há pouca chance de avançar a proposta de criação de um novo programa social, uma espécie de complemento ao Bolsa Família, exclusivamente para comprar carne. O “vale carne” seria de R$ 35 por mês e poderia beneficiar até 19,5 milhões de pessoas de menor renda.

A proposta foi entregue em setembro do ano passado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul, a Acrissul, ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

A proposta do programa é tentar incentivar o consumo de proteína bovina entre as famílias de menor renda e, assim, tentar reverter a tendência de queda do consumo vista nos últimos anos.

O plano entregue pela entidade cita a distribuição de um cartão para famílias em situação de extrema pobreza que permitiria comprar exclusivamente carne em redes do varejo conveniadas ao programa.

Os R$ 35 propostos, diz a Acrissul, permitiram a compra de dois quilos de carne bovina por mês.

Uma consulta no site do supermercado Dia — uma rede popular — mostra que o valor permitiria comprar 1,75 kg de costela bovina resfriada (R$ 19,90 o quilo na promoção da semana) ou 920 gramas de bife ancho (R$ 37,90m na promoção da semana).

No Pão de Açúcar, seria possível comprar 1,03 kg da carne moída congelada mais barata (R$ 16,98 a bandeja de 500g).

Um dos argumentos dos pecuaristas sul-mato-grossenses é que o consumo per capta de carne bovina cai há quatro anos seguidos e atingiu 24,2 quilos por habitante, o menor patamar desde 2004.

Para a entidade, o programa “beneficiará todos os elos da cadeia produtiva da pecuária bovina, melhorando a produção, criando emprego na indústria, aumentando a arrecadação e, na ponta final, beneficiando a população carente que vive em situação de vulnerabilidade, garantindo segurança alimentar”.

Pelos cálculos da entidade, o programa poderia gerar demanda adicional por 475 mil toneladas de carne bovina ou 2,35 milhões de cabeças de gado por ano. O número representa 8% do total de animais abatidos pelo Brasil anualmente.

“Para se ter uma ideia, no ano passado, o Mato Grosso do Sul abateu 3,5 milhões de cabeças de gado e o programa demandaria 2,3 milhões de cabeças por ano", compara Guilherme Bumlai, presidente da associação.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento Social informou que o tema deveria ser tratado com o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por sua vez, informou em nota que “recebe diariamente inúmeras sugestões de diversos setores da sociedade civil de aperfeiçoamento e criação de novas políticas públicas”.

“Neste sentido, o Ministério do Desenvolvimento Agrário recebeu a proposta do ‘Programa Carne no Prato’. A proposta foi protocolada, está em análise na área técnica do Ministério e será encaminhada para a primeira avaliação pelos demais órgãos competentes”, cita o MDA.

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