Fernando Nakagawa
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Fernando Nakagawa

Repórter econômico desde 2000. Ex-Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Paulistano, mas já morou em Brasília, Londres e Madri

COP30

Impasse sobre combustíveis fósseis pode atrapalhar plano do Brasil na COP30

Países rejeitam duas propostas que sugerem caminhos diferentes: transição lenta ou mais acelerada; pode prevalecer texto sem qualquer menção ao tema

COP30 acontece em Belém, no Pará, entre 10 e 21 de novembro  • Sergio Moraes/COP30
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Um impasse relacionado aos combustíveis fósseis pode impedir o plano brasileiro de apresentar amanhã, quarta-feira, um acordo prévio em alguns dos temas da COP30. Diante da divergência, o texto prometido pode não sair ou ser divulgado sem tocar no tema combustíveis fósseis.

As discussões no nível ministerial – que começaram na segunda-feira (17) – esbarraram na reação bastante assertiva de muitos países ao esboço de um acordo sobre combustíveis proposto pelo Brasil.

Em Belém, o Brasil propôs dois caminhos para discutir o assunto.

O primeiro é o de compartilhar experiências entre países sobre o que deu certo na transição energética. Essa opção é focada no aprendizado mútuo, e indicaria baixo compromisso e lenta redução do uso dos fósseis

A segunda alternativa do texto propõe um roteiro de transição com progressiva redução da dependência dos fósseis. A segunda opção é encarada como mais prática, e indica um maior compromisso dos países e uma transição mais rápida.

Há, ainda, uma terceira opção. Ou melhor, um não texto. “No text”, como citado no esboço do acordo. Ou seja, manter a situação dos combustíveis fósseis como está – sem nenhuma mudança.

O tema foi apresentado aos países na manhã desta terça e discutido entre os países. As reações foram bastante fortes para os dois lados.

Relatos ouvidos pela CNN indicam que diferentes países rechaçaram as duas alternativas propostas pelo Brasil. Nações entendem que uma ou outra proposta deveria ser simplesmente retirada do texto.

Países pobres não querem novas obrigações, e encaram a redução do uso dos fósseis como mais um custo. Países avançados na redução dos fósseis entendem que não é adequada uma transição sem compromissos práticos.

Sem acordo, pode simplesmente prevalecer a "terceira opção" citada pelo Brasil: o não texto. Ou seja, o documento de Belém pode simplesmente ignorar o assunto – o que certamente vai gerar reação negativa dos ambientalistas que cobram o fim desses combustíveis.