Fernando Nakagawa
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Fernando Nakagawa

Repórter econômico desde 2000. Ex-Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Paulistano, mas já morou em Brasília, Londres e Madri

COP30

Um lembrete do Paraná à COP: evento climático extremo dispara 607%

Ventos acima de 80 quilômetros por hora, que causaram destruição e mortes no interior paranaense, são cada vez mais frequentes na América do Sul

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2.700 quilômetros separam Rio Bonito do Iguaçu de Belém. Enquanto a cidade do Paraná enterra os mortos, a capital do Pará busca um consenso global para evitar novas tragédias climáticas. O tornado no sul brasileiro é um trágico lembrete de que a COP30 precisa agir.

Os números mostram que o clima já mudou. Levantamento do Banco de Dados de Riscos e Impactos Meteorológicos da América do Sul (SAMHI) revela que a frequência de eventos climáticos extremos no subcontinente nunca foi tão grande.

De janeiro de 2018 a julho de 2023, foram registrados 5.545 eventos extremos, como tornados, ventos acima de 80 quilômetros por hora e granizo com mais de 2 centímetros.

O número é 607% maior que todo o histórico de ocorrências anterior. Antes de 2018, em toda a série histórica do SAMHI, há apenas 784 registros extremos.

Entre os fenômenos, a ocorrência de ventos superiores a 80 km/h saltou de 70 antes de 2018 para 1.421 no período entre 2018 e meados de 2023 – um aumento de 1.930%.

Esse levantamento é realizado por cientistas de várias Universidades e centros de meteorologia da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.

Historicamente, o sul da América do Sul é reconhecido como uma zona frequente de fortes tempestades. Os números revelam, porém, que a mudança do clima tem feito esses eventos climáticos cada vez mais frequentes.

E o que ocorreu no interior do Paraná, infelizmente, deve ser cada vez mais frequente. Esse fato deveria acelerar a promessa da COP30 de transformar compromissos e promessas do passado em implementação e mudança no presente.

Relatórios de climatologistas mostram que a América Latina e o Caribe têm sofrido com um ciclo vicioso do clima, com temperaturas ascendentes e aumento da frequência de desastres.

Enchentes, deslizamentos e secas prolongadas somam tiram vidas e geram prejuízos bilionários. Diante dos fatos, renovar compromissos é algo inócuo. É preciso sair da retórica.