Gabriel Monteiro
Blog
Gabriel Monteiro

Formado em jornalismo. Especializado em economia e negócios. Traduz o mercado e empresas. Gosta de gente e quadrinhos.

Anbima seleciona 20 propostas para piloto de tokenização

Associação vai testar uso da tecnologia em debêntures e fundos de investimento

Compartilhar matéria

Depois de anos de promessas sobre o potencial da tokenização no mercado de capitais, a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) dá um passo para testar, na prática, se essa tecnologia pode funcionar como infraestrutura para ativos regulados. 

A associação selecionou 20 propostas para a fase de testes de seu projeto-piloto de tokenização no mercado de capitais. Esse primeiro teste vai avaliar o uso da tecnologia em debêntures e fundos de investimento. 

Ao avançar com a iniciativa associação quer testar se é possível padronizar o uso dessas ferramentas para melhorar a eficiência dos produtos sem colocar em risco a governança e a segurança dos investidores. 

Afinal, com a aproximação institucional do mercado de criptoativos, essa sempre foi uma das promessas mais atraentes da tokenização: eficiência. 

Apesar de a tokenização ser vendida como óbvia solução para os gargalos antigos do mercado de capitais, como prazos e custos operacionais altos, ainda há uma grande distância entre a promessa e a aplicação em escala no mercado regulado.

Há grande diferença entre tokenizar ativos existentes e criar esses ativos nativamente digitais, que é a proposta da Anbima com os testes.

É na automação de etapas como custódia, escrituração, transferência de titularidade, eventos e liquidação que a tokenização pode gerar parte da eficiência prometida. Descobrir se isso funciona na prática é o desafio do piloto. 

Os testes serão feitos em uma rede DLT privada e permissionada do projeto-piloto, coordenado pela Anbima. Não haverá movimentação de dinheiro real nem participação de investidores. O objetivo é produzir evidências técnicas e operacionais antes de qualquer decisão sobre governança, padronização e eventual adoção de ativos tokenizados. 

No caso das debêntures, os ativos serão emitidos e geridos diretamente na rede. Já nos fundos de investimento, os testes envolverão o uso de contratos inteligentes para automatizar processos. 

O piloto também vai avaliar a integração entre fundos e debêntures em uma mesma infraestrutura, simulando várias das etapas do ciclo de vida dos ativos. Serão estruturados, emitidos, transferidos e liquidação.

Das 20 propostas selecionadas, 10 vão testar fundos e debêntures funcionando em conjunto na mesma infraestrutura DLT. Outras sete serão voltadas exclusivamente a debêntures nativamente digitais. As três restantes vão testar a operação de fundos de investimento por meio de smart contracts. 

Entre os participantes selecionados estão Itaú Unibanco, BTG Pactual, B3, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Santander, Banco BV, Banco Inter, Safra, BNP Paribas, Mercado Bitcoin, Ripple Brasil, IBM, BBChain, Liqi Digital Assets, Núclea, VERT Capital, Laqus e outras instituições organizadas em consórcios.

Os testes vão terminar em outubro. A depender do resultado, a associação deve avaliar novos pilotos com outras categorias de ativos.

“A expressiva participação do mercado, com 39 propostas inscritas, reforça a relevância dessa iniciativa. A fase de testes permitirá avaliar soluções na prática, mapear gargalos operacionais e apoiar a construção de referências comuns para o desenvolvimento da tokenização no mercado de capitais”, afirma Eric Altafim, diretor da Anbima.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais