Apesar da instabilidade com Irã, preços do petróleo tendem para queda
O preço do petróleo disparou diante do aumento da tensão entre Estados Unidos e Irã

O país persa enfrenta protestos há três semanas, que já deixaram ao menos duas mil pessoas mortas e cerca de 17 mil presas, segundo a Human Rights Activists.
A possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos elevou a instabilidade no mercado futuro. Os contratos para março superaram os US$ 66 por barril e acumulam alta de cerca de 10% desde o início de 2026.
Apesar da instabilidade geopolítica, a tendência estrutural para o preço da commodity segue sendo de baixa.
O Departamento de Energia dos Estados Unidos projeta que o preço médio do petróleo bruto feche o ano em US$ 56 por barril, refletindo o excesso de oferta global.
O Banco Mundial também projeta queda. O relatório mais recente de perspectivas econômicas globais estima um preço médio de US$ 60 por barril neste ano.
Os analistas empilham fatores que fortalecem a tese de enfraquecimento dos preços:
A Opep+ está em processo gradual de aumento da produção, após os cortes adotados durante a pandemia de Covid-19 para sustentar os preços. Esses aumentos de produção devem continuar ao longo do ano.
Fora da Opep+, a oferta também tende a crescer, especialmente nos Estados Unidos, Brasil e Guiana. A maior disponibilidade de barris reduz a capacidade do cartel de sustentar cotações elevadas sem perder participação de mercado.
Do lado da demanda, o consumo global segue em expansão, mas em ritmo mais lento, pressionado pela desaceleração da economia chinesa, pelos ganhos de eficiência energética e pela transição gradual nos transportes. Esse movimento reduz a pressão estrutural sobre os preços no médio prazo.
Outro fator é o nível mais elevado de estoques globais, que atua como amortecedor contra choques geopolíticos e interrupções pontuais de oferta, reduzindo a volatilidade e a necessidade de prêmios de risco elevados.
O ambiente de crescimento econômico moderado e de política monetária restritiva, não apenas nos Estados Unidos e no Brasil, também limita movimentos especulativos mais agressivos e faz com que o petróleo opere mais próximo de seus fundamentos de oferta e demanda.
Apesar da tendência estrutural de queda, as cotações devem continuar instáveis até que um cenário mais provável se consolide.
Riscos relacionados ao Irã envolvem a diminuição da produção, consequência de um ataque direto ao 5° maior produtor de petróleo do mundo, a um bloqueio do estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo e também ao envolvimento de outros países ou grupos rebeldes da região.



