Menos euforia, mais critério: o novo momento da IA visto na CES
Discussão sobre possível bolha em Wall Street muda o fluxo de capital e aumenta o escrutínio sobre projetos de inteligência artificial

A inteligência artificial e suas mais diversas aplicações foram o centro das atenções nos quatro dias de CES (Consumer Electronics Show), em Las Vegas.
No entanto, passada a euforia inicial provocada pela popularização da IA generativa e em meio a uma discussão cada vez mais intensa em Wall Street sobre a formação de uma possível bolha, o mercado começa a adotar uma postura mais seletiva em relação aos projetos.
Velhas perguntas voltam ao centro do debate: viabilidade financeira, ganhos reais de produtividade, escalabilidade e sustentabilidade dos novos produtos.
Esses critérios têm pesado principalmente sobre startups e setores com margens de lucro mais baixas, que agora enfrentam maior escrutínio.
A simples existência da discussão sobre bolha deve mudar o fluxo de capital no mercado. Os investidores começam a ter mais clareza sobre quem são os vencedores dessa corrida. Com mais informações, o mercado passa a escolher melhor os seus cavalos.
A discussão sobre bolha lembra, em muitos aspectos, o debate do fim dos anos 90, durante a explosão do número de empresas pontocom. O capital, na época, correu mais rápido que os modelos de negócios e resultados.
A bolha estourou no início dos anos 2000 com valuations inflados, empresas sem receita recorrente e desancoragem de expectativas.
Apesar dessa preocupação, o clima observado na CES foi menos alarmista do que se poderia imaginar. O sentimento predominante ainda é de empolgação, especialmente com empresas que demonstram evolução rápida e aplicações concretas da tecnologia.
Ao contrário das pontocom, a IA já apresenta aplicações concretas, uso corporativo em larga escala, e impacto sobre eficiência e produtividade.
A feira mostrou um público mais criterioso, mas ainda confiante no avanço da IA. Parecem mais dispostos a “separar o joio do trigo” do que a jogar tudo para os ares.



