Gabriel Monteiro
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Gabriel Monteiro

Formado em jornalismo. Especializado em economia e negócios. Traduz o mercado e empresas. Gosta de gente e quadrinhos.

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Menos euforia, mais critério: o novo momento da IA visto na CES

Discussão sobre possível bolha em Wall Street muda o fluxo de capital e aumenta o escrutínio sobre projetos de inteligência artificial

Robô estourando uma bolha com a placa de Wall Street, enquanto investidor demonstra preocupação com seu dinheiro
Analistas do mercado já avisaram que a atual "corrida pela IA" poderia gerar uma situação semelhante há de 25 anos  • Ilustração gerada por IA
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A inteligência artificial e suas mais diversas aplicações foram o centro das atenções nos quatro dias de CES (Consumer Electronics Show), em Las Vegas.

No entanto, passada a euforia inicial provocada pela popularização da IA generativa e em meio a uma discussão cada vez mais intensa em Wall Street sobre a formação de uma possível bolha, o mercado começa a adotar uma postura mais seletiva em relação aos projetos.

Um alerta de Jamie Dimon, presidente do JP Morgan, carimbou a preocupação. Em outubro, ele disse que o frenesi poderia ter levado empresas a atingirem valores acima do que realmente valem.

Velhas perguntas voltam ao centro do debate: viabilidade financeira, ganhos reais de produtividade, escalabilidade e sustentabilidade dos novos produtos.

Esses critérios têm pesado principalmente sobre startups e setores com margens de lucro mais baixas, que agora enfrentam maior escrutínio.

A simples existência da discussão sobre bolha deve mudar o fluxo de capital no mercado. Os investidores começam a ter mais clareza sobre quem são os vencedores dessa corrida. Com mais informações, o mercado passa a escolher melhor os seus cavalos.

A discussão sobre bolha lembra, em muitos aspectos, o debate do fim dos anos 90, durante a explosão do número de empresas pontocom. O capital, na época, correu mais rápido que os modelos de negócios e resultados.

A bolha estourou no início dos anos 2000 com valuations inflados, empresas sem receita recorrente e desancoragem de expectativas.

Apesar dessa preocupação, o clima observado na CES foi menos alarmista do que se poderia imaginar. O sentimento predominante ainda é de empolgação, especialmente com empresas que demonstram evolução rápida e aplicações concretas da tecnologia.

Ao contrário das pontocom, a IA já apresenta aplicações concretas, uso corporativo em larga escala, e impacto sobre eficiência e produtividade.

A feira mostrou um público mais criterioso, mas ainda confiante no avanço da IA. Parecem mais dispostos a “separar o joio do trigo” do que a jogar tudo para os ares.

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