Mercado negocia dívidas da Braskem com mais de 60% de deságio
Risco de crédito da companhia voltou ao centro das atenções após seu pedido de recuperação extrajudicial

O mercado negociou debêntures de Braskem com deságio de 62,7% nesta terça-feira (25). O risco de crédito da companhia voltou ao centro das atenções após seu pedido de recuperação extrajudicial, que ainda tem como desafio angariar apoio à reestruturação.
As negociações foram até piores na segunda-feira (24), dia do anúncio do pedido. Uma debênture da empresa com vencimento em 2029 e remuneração de CDI + 1,7% negociou, em média, com 75% de deságio em relação ao preço unitário na curva.
O mercado diverge quanto à precificação das dívidas da Braskem em negociações secundárias. Os valores mudam a depender do negócio, mas um consenso é de que quem compra esses papéis passou a exigir um desconto muito maior para carregar a dívida da companhia.
Apesar de o pedido de reestruturação ter piorado os descontos, o movimento não começou agora. Em agosto do ano passado, a mesma debênture era negociada com deságio de cerca de 26%. No começo deste ano, o desconto já havia subido para pouco mais de 50%.
Ao longo de 2025, a capacidade da Braskem de gerar caixa ficou mais pressionada. Em setembro, a contratação de assessores para discutir alternativas para a estrutura de capital aumentou as dúvidas sobre a capacidade da empresa de seguir pagando suas obrigações sem uma renegociação.
Os rebaixamentos de rating vieram em sequência. No fim do ano passado, a Fitch já classificava a Braskem em uma faixa de risco muito elevado de calote. Em junho deste ano, depois que a empresa conseguiu proteção na Justiça contra cobranças de credores e suspendeu pagamentos, a S&P passou a classificar a companhia em default.
Em agosto, após deixar de pagar juros dentro do prazo previsto, a Fitch também passou a considerar que havia ocorrido um default restrito.
O pedido de recuperação extrajudicial é o capítulo mais recente dessa deterioração.
Agora, a companhia tenta conseguir apoio dos credores para aprovar a reestruturação da dívida. Ela precisa de apoio de, no mínimo, metade dos detentores de dívidas envolvido na negociação. Esses credores, no entanto, discordam sobre qual o caminho deve ser seguido pela empresa no plano de recuperação, o que gera o risco de uma RE frustrada, caso a maiores não chegue a um consenso.
Até o vencimento das dívidas, o valor final a ser recebido por quem emprestou dinheiro à Braskem pode sofrer alongamento de prazos, redução de juros, desconto sobre principal e eventuais conversões de dívida podem alterar substancialmente o retorno do investimento. Esses riscos já aparecem nas negociações.



