Gabriel Monteiro
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Gabriel Monteiro

Formado em jornalismo. Especializado em economia e negócios. Traduz o mercado e empresas. Gosta de gente e quadrinhos.

IA, chips e custos: os dilemas econômicos em debate na CES

Investidores voltam atenções para Las Vegas, em uma das maiores feiras de tecnologia do mundo

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O ano de 2026 começa como 2025 terminou. Com uma forte discussão no mercado financeiro sobre a existência ou não de uma bolha de inteligência artificial.

Há um constante desconforto entre investidores sobre uma possível sobrevalorização de ativos de tecnologia e sobre os resultados financeiros ainda insuficientes de projetos envolvendo investimentos bilionários em IA.

Afinal, a tecnologia é fantástica, mas “quem vai levar a grana?”. A cobrança vem causando reações negativas ao anúncio de novos investimentos no setor ou mesmo de novos produtos. O risco de bolha desestabilizou ativos de risco e deve continuar a fazê-lo.

Nesse contexto, o mercado começa o ano atento ao que as gigantes de tecnologia vão apresentar no Consumer Eletronics Show — mais conhecida pela sigla CES, que acontece entre os dias 6 e 9 de janeiro, em Las Vegas.

O CES é um dos maiores eventos de tecnologia do mundo e, tradicionalmente, concentra uma parcela relevante dos anúncios estratégicos das big techs.

Desta vez, no entanto, a euforia com as novas soluções de IA (que devem tomar conta do evento) vai dividir espaço com preocupações sobre o retorno desses investimentos. Por esse motivo, o mercado financeiro vai acompanhar de perto tudo o que for dito (ou não) por lá.

Se o humor do fim de 2025 continuar, qualquer sinal de má notícia, pode causar uma forte queda para ações de tecnologia.

Apesar de a feira começar oficialmente apenas no dia 6, o dia mais importante para os investidores será segunda-feira (5). Nvidia e AMD prepararam as próprias palestras de abertura para o evento, conduzidas pelos CEOs Jensen Huang e Lisa Su, respectivamente.

As duas companhias são líderes e fortes concorrentes na fabricação de chips para uso em sistemas de IA.

Além do anúncio de novos produtos para consumidores e para a indústria, os executivos devem apresentar objetivos estratégicos para 2026, suas leituras sobre o ambiente de mercado e os próximos passos das empresas.

Não serão discursos voltados para os acionistas, mas devem influenciar nas decisões de investimentos ao longo da semana.

Destaques de 2026

Depois de a IA generativa encantar os consumidores, agora as marcas deve focar em hardwares desenhados para funcionar em sintonia com a inteligência artificial.

Grandes e pequenas marcas preparam anúncios de acessórios (óculos, relógios, anéis, etc), robôs, e dispositivos de “casa inteligente”.

Estarão presentes empresas como Samsung, Qualcomm, Microsoft, Lenovo, Sony, LG e outras

Já há alguns anos os automóveis vêm crescendo em participação no CES, mais uma vez, marcas devem apresentar suas novidades envolvendo o uso de Inteligência artificial em veículos e tecnologia para o desenvolvimento de baterias.

A corrida pelos carros voadores continua. Diversas fabricantes estarão presentes no evento para mostrar os avanços nos projetos que parecem estar próximos de saírem do papel

Custos do boom da IA

Outra discussão que deve estar muito presente no evento é sobre a disparada do custo da memória RAM no mercado, que está pressionando as margens de fabricantes de eletrônicos e deve continuar pressionando nos próximos meses.

O mercado agora se dedica à fabricação de chips mais avançados para uso em IA. Essa dedicação reduziu consideravelmente a oferta de Chips para telefones e notebooks, o que fez os preços saltarem em até 100% no último ano para alguns modelos.

Os custos mais altos podem provocar reajustes nos preços de produtos que já estão no mercado ou até mesmo o lançamento de novos modelos com capacidade de RAM menor, para garantir a margem dos fabricantes. Os celulares e os notebooks devem ser os mais afetados pela crise de preços.

*O repórter viajou a convite da GWM

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