Gilvan Bueno
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Gilvan Bueno

Especialista em finanças, mercado de capitais e educação financeira. Foi sócio e gerente educacional no mercado financeiro. Trabalhou em bancos de investimentos e corretoras. Foi palestrante no Fórum Global South Financiers 2025, realizado em Beijin, China.

Quem financiará os investimentos na era da IA?

Corrida pela tecnologia mostra uma das maiores movimentações de capital da história moderna, com gastos previstos em US$ 3 trilhões para centros de dados até 2029

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Em 2013, o apresentador Jim Cramer, da rede CNB, apresentou o termo FANG (Facebook, Amazon, Netflix e Google) que dominavam as fortes valorizações do mercado americano.

O termo foi bem recebido porque FANG (pois em inglês significa presa, dente afiado) transmitia força, agressividade e dominância — características intrínsecas com o poder dessas companhias.

Logo em seguida, em 2017, foi inevitável incluir a Apple neste grupo seleto, e tivemos o acrônimo FAANG.

Em 2024, o valor de mercado dessas empresas alcançou o valor de mercado de US$ 10 trilhões, representando cerca de 20% da capitalização total do S&P 500.

Seu modelo de negócios destaca-se sobre investimentos em computação na nuvem — Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud — na construção de centros de dados para seus negócios de serviços em nuvem sempre foi financiada com recursos próprios.

Agora, iremos presenciar um novo momento, que são os investimentos em centros de dados.

Em 2026, Google, Amazon, Microsoft e Meta gastarão mais de US$ 400 bilhões - mas isso representa apenas uma pequena fração dos gastos necessários para construir os centros de dados que sustentarão a era da IA.

O valor também não considera os outros US$ 350 bilhões aportados neste ano.

Os centros de dados são a espinha dorsal da IA generativa, já que fornecem cálculo, armazenamento, conectividade, segurança e energia — tudo em escala global. Sem eles, não haveria como treinar modelos gigantes, nem entregar respostas em segundos para milhões de usuários.

No início da era da IA, muitos pensavam nos centros de dados como um nicho no mercado imobiliário. Com o crescimento frenético da tecnologia, porém, as construções transformaram os centros de dados em uma categoria de ativos muito disputada.

Segundo analistas do Morgan Stanley, até 2029, os gastos globais com centros de dados chegarão a quase US$ 3 trilhões.

Por isso, estamos diante de uma das maiores movimentações de capital da história moderna. Mas quanto será necessário para financiar essa expansão?

As big techs (leia-se FAANG) irão financiar com capital próprio US$ 1,4 trilhão, mas existirá um espaço a ser financiado de US$ 1,5 trilhão por investidores, incorporadores, private equity, capital de risco (venture capital) e fundos soberanos, até empréstimos bancários, títulos de dívida negociados em bolsa e crédito privado.

Com certeza, o financiamento será por emissão de dívida: uma preocupação adicional para a sustentabilidade fiscal e riscos financeiros da dívida global, que está em US$ 324 trilhões em 2025, segundo estudos do Banco Mundial.

Este cenário lembra duas experiências no passado: a crise das empresas.com e a crise imobiliária de 2008.

Então os investidores precisam estar atento nestes três aspectos:

  1. Excesso de capacidade que pode reduzir o preço
  2. A lucratividade no longo prazo
  3. A demanda por energia que pode aumentar o custo de execução

E não podemos esquecer o efeito da tecnologia se tornar obsoleta mais rápido do que o imaginado.

Mas, com certeza, o maior dos riscos é uma possibilidade semelhante à da startup chinesa DeepSeek, que apresentou uma IA generativa que pode ser treinada de forma muito mais barata.

No final, o investidor precisa ter cuidado com IPOs com valuations com muita expectativa de forte valorização no futuro e fundos de participação que não tenham um modelo de garantias que proteja a falta de geração de caixa no futuro.

E, o mais importante, dívidas corporativas que não tenham lastro com garantia real.

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