Na BA, debate eleitoral foca em combate à violência e acenos a Lula
Estado concentra cinco das dez cidades mais violentas do país e é o quarto com mais feminicídios.

O debate eleitoral na Bahia priorizou uma discussão sobre propostas para o combate à violência e promessas de parcerias com o governo federal, sobretudo em uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O estado nordestino aparece com destaque no mais recente Anuário da Segurança Pública, com cinco cidades no ranking dos dez municípios mais violentos. Além disso, a Bahia é o quarto estado com maior número de feminicídios.
No debate promovido pela rede Bandeirantes, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que disputa a reeleição, prometeu o aumento do número de câmeras nas fardas policiais e a adoção de uma política de conscientização contra o machismo nas escolas públicas.
"Não passo a mão na cabeça de criminoso. O criminoso bom é o preso. E concordo com o presidente Lula na criação do Ministério da Segurança Pública", afirmou.
Já o candidato ACM Neto, do União Brasil, fez críticas ao que chamou de "universo de faz de conta" da atual gestão, referindo-se a ela como "Jeronimolândia". Ele prometeu investir em inteligência policial, aumento salarial às forças de segurança e isolamento de chefes de facções criminosas em presídios de segurança máxima.
"O atual governador vive na Jeronimolândia. Ele é sabor governador e tem falhado na gestão da segurança pública", criticou.
O candidato Ronaldo Mansur, do PSOL, defendeu a necessidade de melhorar as condições dos policiais baianos e fez críticas à gestão do ex-governador Antônio Carlos Magalhães, avô de ACM Neto. Ele lembrou que, em 2005, ACM Neto disse que daria uma surra em Lula.
"O ACM Neto é do grupo de Jair Bolsonaro. Ele foi sócio do ex-presidente na pandemia do coronavírus", disse.
O presidente petista, aliás, foi um dos protagonistas no debate baiano. Na Bahia, Lula teve, em 2022, larga vantagem sobre o então presidente Jair Bolsonaro, do PL, na disputa ao Palácio do Planalto.
Os candidatos Jerônimo e Mansur fizeram questão, mais de uma vez, de reafirmar que são aliados do petista e que pretendem dar continuidade a uma parceria administrativa com o governo federal. Mansur chegou a acusar ACM Neto de apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, do PL, o que foi negado pelo ex-prefeito de Salvador.
"Eu apoio o candidato do meu partido, o Ronaldo Caiado. Ele foi um dos governadores mais bem votados no país", afirmou.
ACM Neto evitou, durante todo o debate, fazer críticas a Lula e disse que, como prefeito de Salvador, fez parcerias com presidentes de diferentes espectros ideológicos, como Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).
O nome do senador Jaques Wagner (PT-BA), investigado pela Polícia Federal no âmbito do escândalo do Banco Master, só foi mencionado três vezes. Em todas elas, pelo candidato petista para agradecer o apoio do congressista, sem citar as suspeitas de irregularidades.


