Planalto vê nota de Alcolumbre como pressão por agenda com Lula
Avaliação é de que senador estica a corda para negociar espaço
A nota pública divulgada neste domingo (30) por Davi Alcolumbre (União-AP) com críticas ao governo foi avaliada pelo Planalto como uma tentativa de pressionar por um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A expectativa era por uma reunião para alinhamento da data da sabatina de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal). Dez dias após a indicação, no entanto, esse encontro ainda não aconteceu.
Nesse meio tempo, Alcolumbre se antecipou. Marcou a sabatina de Messias para 10 de dezembro e começou a enviar recados ao Planalto. Um deles foi a ausência na cerimônia de sanção da reformulação da tabela do imposto de renda.
De acordo com palacianos, a postura tem irritado Lula. A avaliação é de que Alcolumbre quebrou a confiança do presidente que, neste momento, prefere deixar o até então aliado em banho-maria.
O presidente do Senado Federal, no entanto, tem deixado claro nos bastidores que mantém disposição para conversar com o petista.
Ministros do governo entendem que Alcolumbre busca, além de um pedido de desculpas, mais poder junto ao governo, o que envolve cargos em autarquias federais.
A nota divulgada pelo parlamentar neste domingo (30), entretanto, nega a busca por mais espaço na gestão petista e pede respeito ao Senado Federal.
Apesar do movimento de Alcolumbre, nem mesmo dirigentes do centrão consideram que a indicação de Messias será barrada.
Uma ala do Congresso avalia que Alcolumbre precisa distensionar a relação. Caso contrário, a situação pode desencadear um abalo permanente, o que pode prejudicar o senador tanto na disputa eleitoral no Amapá quanto em uma candidatura à reeleição ao comando do Senado.
A avaliação é de que, sem o apoio da direita que já anunciou que não estará com Alcolumbre em 2027, resta ao parlamentar cultivar a esquerda.



