Análise: com críticas a Lula e Flávio, Renan Santos mira voto independente
Candidato evita rótulo de 3ª via ao criticar adversários e diz ser afirmação da geração atual
Com o discurso recheado de críticas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) mira o eleitorado independente.
A fatia daqueles que não se identificam nem com o PT nem com o bolsonarismo tem poder decisivo no cenário eleitoral e costuma estar na mira das campanhas na hora de modular discursos e propostas.
Durante o Congresso do Missão, que lançou a candidatura, Renan Santos evitou o rótulo de terceira via e afirmou ter um caminho próprio. O candidato também se colocou como o mais enérgico e independente para ser competitivo contra a polarização.
Com críticas tanto a Lula quanto a Flávio, o candidato, ganhando tração, pode contribuir ainda para deixar um saldo político de agravamento da divisão do eleitorado de direita diante de tantas opções do mesmo espectro.
Focado na estratégia digital, Renan entra na primeira campanha à presidência da República com o desafio de converter seguidores em eleitores e de fazer com que o engajamento virtual possa equilibrá-lo frente ao tempo de exibição de rádio e televisão dos adversários.
Ao contrário da maioria dos presidenciáveis, Renan não estará no horário eleitoral gratuito, nem aparecerá em inserções no meio da novela ou do futebol. Sem alianças com outros partidos e sem tempo de televisão, Renan tem conexão com o público jovem — a Geração Z — e que já não está mais na frente da TV como as gerações anteriores.
A plateia no Congresso do Missão era formada majoritariamente por jovens. Renan afirma não ser a negação dos adversários, mas a afirmação da geração atual. O evento teve vários elementos de identificação com o público mais jovem, simulando um ambiente de festa: muitas luzes, venda de bebidas alcoólicas, sistema de compra de cartão para consumo e até uma lojinha para vender artigos do partido, como camisetas e o mascote de onça - símbolo da sigla - em versões de pelúcia.
Mas a dificuldade de Renan mora justamente na faixa do eleitorado de 25 anos para cima, que é mais conectada aos adversários veteranos da disputa eleitoral.
Ainda assim, em algumas pesquisas feitas, o candidato já superou ou apareceu tecnicamente empatado com os ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Renan, no entanto, nunca apresentou patamar competitivo contra Lula e Flávio e, consequentemente, chances de passar a um segundo turno contra um dos dois.
A aposta é no discurso da lei e da ordem e em propostas controversas para atrair atenção, que vão de redução de quase quatro mil municípios, substituição de programas como Bolsa Família e um plano de desfavelização que, a longo prazo, substituiria favelas por arranha-céus.
No Livro Amarelo, como foi chamado o plano de governo, Renan prevê ainda medidas de reequilíbrio fiscal, revisão de benefícios sociais e corte de gastos.
A candidatura de Renan também tem o desafio de potencializar o Missão no primeiro teste nas urnas. O partido foi autorizado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no final de 2025 e mira a eleição de deputados federais e governadores. Assegurar, por exemplo, a bancada na Câmara, teria o efeito de engordar o fundo partidário da sigla. Um dos fundadores do partido, o deputado federal Kim Kataguiri, prometeu uma eleição “grotesca” de parlamentares.



