Disputa presidencial divide lideranças da Assembleia de Deus
Integrantes de agremiação se dividem entre neutralidade, Flávio, Lula e Caiado

Lideranças de diferentes vertentes da Assembleia de Deus, uma das principais igrejas evangélicas do país, se dividem na disputa presidencial entre neutralidade, apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ex-governador Ronaldo Caiado (PSD-GO).
Integrantes da ADBelem (Assembleia de Deus Ministério do Belém), por exemplo, não pretendem endossar a candidatura de Flávio à Presidência da República.
O tema tem sido discutido internamente e o direcionamento atual é de neutralidade na disputa presidencial.
Entre os presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) hoje teria mais viabilidade de apoio da cúpula da igreja do que Flávio.
O que teria potencial para mudar o cenário e agregar o apoio religioso é a escolha por um nome ligado à igreja.
Pivô da crise entre Flávio e Michelle, a vereadora Priscila Costa é filha e sobrinha de lideranças de peso da igreja no Nordeste e no Brasil.
A parlamentar do Ceará é um dos nomes cotados para ser vice na chapa de Flávio e chegou a ser procurada pelo coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), meses atrás.
A ADBelem é considerada a representação da Assembleia de Deus mais antiga no Brasil e reúne milhões de fiéis. Dela se originaram outras vertentes que também têm ampla conexão com a política e influência forte sobre as indicações de candidaturas a diferentes cargos políticos nos estados.
Em outras vertentes, Flávio tem apoio expresso de lideranças. É o caso da ADVEC (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), do pastor Silas Malafaia, e do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).
À CNN, Malafaia afirmou que apoia Flávio e lideranças da chapa bolsonarista no Rio de Janeiro, mas negou que o apoio da ADVEC seja institucionalizado.
"Quem apoia sou eu, quem apoia é o povo da igreja, não a igreja. A igreja é uma instituição que está acima disso. É ridículo dizer que 'a igreja tal apoia'. A igreja não apoia, a instituição é acima. Quem apoia são os membros da igreja que pertencem a um segmento, e eu falo por mim, posso influenciar, tenho uma certa influência, uma pequena influência, mas as pessoas é que votam", afirmou.
Já o deputado evangélico e pastor Otoni de Paula (PSD-RJ), que é ligado à Ad Madureira e já foi aliado de Jair Bolsonaro, sinaliza que não votará no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para presidente da República neste ano. O parlamentar defende o voto em Caiado no 1º turno e, caso o ex-governador não vá para o segundo turno, indica que apoiaria Lula.
Flávio tem mais capilaridade junto ao eleitorado evangélico do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário na disputa ao Palácio do Planalto.
Segundo a pesquisa Atlas Bloomberg divulgada na quarta-feira (27), o senador tem 51% das intenções de voto evangélico no 1º turno contra 22% de Lula.



