Isabel Mega
Blog
Isabel Mega

Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Disputa presidencial divide lideranças da Assembleia de Deus

Integrantes de agremiação se dividem entre neutralidade, Flávio, Lula e Caiado

Compartilhar matéria

Lideranças de diferentes vertentes da Assembleia de Deus, uma das principais igrejas evangélicas do país, se dividem na disputa presidencial entre neutralidade, apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ex-governador Ronaldo Caiado (PSD-GO).

Integrantes da ADBelem (Assembleia de Deus Ministério do Belém), por exemplo, não pretendem endossar a candidatura de Flávio à Presidência da República.

O tema tem sido discutido internamente e o direcionamento atual é de neutralidade na disputa presidencial.

Entre os presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) hoje teria mais viabilidade de apoio da cúpula da igreja do que Flávio.

O que teria potencial para mudar o cenário e agregar o apoio religioso é a escolha por um nome ligado à igreja.

Pivô da crise entre Flávio e Michelle, a vereadora Priscila Costa é filha e sobrinha de lideranças de peso da igreja no Nordeste e no Brasil.

A parlamentar do Ceará é um dos nomes cotados para ser vice na chapa de Flávio e chegou a ser procurada pelo coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), meses atrás.

A ADBelem é considerada a representação da Assembleia de Deus mais antiga no Brasil e reúne milhões de fiéis. Dela se originaram outras vertentes que também têm ampla conexão com a política e influência forte sobre as indicações de candidaturas a diferentes cargos políticos nos estados.

Em outras vertentes, Flávio tem apoio expresso de lideranças. É o caso da ADVEC (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), do pastor Silas Malafaia, e do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).

À CNN, Malafaia afirmou que apoia Flávio e lideranças da chapa bolsonarista no Rio de Janeiro, mas negou que o apoio da ADVEC seja institucionalizado.

"Quem apoia sou eu, quem apoia é o povo da igreja, não a igreja. A igreja é uma instituição que está acima disso. É ridículo dizer que 'a igreja tal apoia'. A igreja não apoia, a instituição é acima. Quem apoia são os membros da igreja que pertencem a um segmento, e eu falo por mim, posso influenciar, tenho uma certa influência, uma pequena influência, mas as pessoas é que votam", afirmou.

Já o deputado evangélico e pastor Otoni de Paula (PSD-RJ), que é ligado à Ad Madureira e já foi aliado de Jair Bolsonaro, sinaliza que não votará no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para presidente da República neste ano. O parlamentar defende o voto em Caiado no 1º turno e, caso o ex-governador não vá para o segundo turno, indica que apoiaria Lula.

Flávio tem mais capilaridade junto ao eleitorado evangélico do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário na disputa ao Palácio do Planalto.

Segundo a pesquisa Atlas Bloomberg divulgada na quarta-feira (27), o senador tem 51% das intenções de voto evangélico no 1º turno contra 22% de Lula.