Isabel Mega
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Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Plataforma testa convergência de candidatos com pautas ambientais

"Farol verde" mostra participação de deputados federais e senadores em votações no Congresso; ferramenta de monitoramento foi lançada nesta sexta-feira (18)

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Uma plataforma lançada pelo IDS (Instituto Democracia e Sustentabilidade), com apoio técnico do Observatório do Clima, nesta sexta-feira (18) testa a convergência de candidatos nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado com pautas ambientais.

O "Farol Verde" permite uma busca pelo nome dos parlamentares para verificar de quais votações sobre temas ambientais ele participou e qual foi o posicionamento.

A ferramenta estabelece um índice de convergência ambiental, que categoriza de 0 a 100 os posicionamentos dos parlamentares sobre as agendas do tipo.

"Os mesmos critérios foram aplicados para todos os parlamentares de forma isonômica. Então, a partir disso, nosso objetivo era trazer informações confiáveis para a população que demanda cada vez mais de seus representantes um compromisso socioambiental. É para que isso sirva como um instrumento de cidadania, de participação e de accountability das instituições", afirma Vinicius Moraes da Cunha, pesquisador de políticas públicas do IDS.

Na Câmara, REDE, PSOL e PCdoB lideram com índices médios acima de 90. Já PT, PV, PSB e PDT figuram entre 70 e 85. Na outra ponta, NOVO, PL e União Brasil tem menos de 50.

Já no Senado, o PT lidera com índice médio próximo de 73, seguido pelo PDT. As siglas MDB, PSDB, PSD e PSB ficam na faixa intermediária e o PL, Avante, PP e União Brasil fecham a lista, com índice inferior a 15.

A plataforma aponta ainda que apesar de serem minoria nas duas casas, as parlamentares mulheres apresentam uma média superior a dos homens.

No geral, há parlamentares com 100% de participação, mas nenhum atingiu o índice de 100% de convergência ambiental.

A base de dados levou em consideração 66 votações nominais, sendo 44 na Câmara e 22 no Senado. Mais de 700 parlamentares foram monitorados: foram 647 deputados e 96 no Senado. O número leva em consideração as trocas de suplentes durante a última legislatura.

De acordo com o IDS, em 70% das votações sobre questões ambientais nos últimos três anos e meio houve derrota para o meio ambiente. O Congresso legislou com intensidade sobre a agenda socioambiental, com avanços e retrocessos e de maneira ambivalente.

"Os mesmos parlamentares que mostram reconhecer a emergência climática quando aprovam os Planos de Adaptação à Mudança Climática (Lei 14.904/2024) flexibilizam o licenciamento ambiental, colocando em risco áreas preservadas e, assim, agravando a própria crise", explica o pesquisador Vinicius Cunha.