Análise: 6x1 depende de conversa entre Lula e Alcolumbre
Presidente do Senado não se compromete com calendário de tramitação da proposta

A PEC que trata do fim da jornada 6x1 não vai andar no Senado até que Davi Alcolumbre (União-AP) tenha uma conversa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Sem o diálogo, essa e outras pautas de maior interesse do Palácio do Planalto não devem ter andamento - a exemplo da PEC da segurança e do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com regulamentação para a exploração de terras raras no Brasil.
Até aqui, Lula não tem dado qualquer indicativo de que chamará Alcolumbre para uma conversa e vem segurando até mesmo a pauta do fim da 6x1 de discursos públicos. A avaliação é de que o presidente voltará ao tema quando sentir que há timing eleitoral.
Davi Alcolumbre colocou a consultoria do Senado para estudar a apresentação de uma emenda que propõe o fim da transição para a implementação da escala 5x2, que substituirá a 6x1.
Há uma "pegadinha" nisso, no entanto. Alcolumbre é convicto de que o fim da 6x1 será ruim para a economia. Por que, então, defenderia a implementação imediata?
A resposta está na possibilidade do texto, caso andasse, ser alterado e precisar voltar para a Câmara por causa das modificações do Senado.
Na Câmara, houve um acordo costurado pelo governo com o presidente Hugo Motta para estabelecer a transição. Se a casa retomasse esse ponto, o assunto poderia voltar novamente ao Senado. As PECs têm essa peculiaridade de pedir um "ping pong" entre as duas casas.
Governistas, no entanto, têm trabalhado o discurso de que estão vendo pequenos sinais de Alcolumbre e uma leve melhora na relação.
A nova líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), tem trabalhado para fazer um "quebra-gelo" com o presidente do Senado. Sem Jaques Wagner no caminho oficial da articulação, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães (PT-CE), também tem mais espaço para atuar no Senado.
Até aqui, no entanto, os gestos foram mínimos. Alcolumbre tem se limitado a atender o regimento, como na tramitação da pauta-bomba, e a colocar para votar matérias que também lhe interessem.



