Análise: Hugo conduz IOF com “morde e assopra” no governo
Presidente da Câmara surpreendeu Planalto ao pautar, para esta quarta (25), texto que derruba aumento de tributação

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), justificou a aliados que pautou o PDL (Projeto de Decreto Legislativo) do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) porque a pauta da Casa "precisava andar". O deputado comunicou a decisão de colocar a proposta na previsão da sessão desta quarta-feira (25) em uma postagem nas redes sociais.
A decisão gerou surpresa entre líderes da base na Câmara, que acordaram nesta quarta "no escuro" sobre a decisão e criticaram a falta de alerta e o fato do plenário estar com sessões semipresenciais por causa da semana de São João, que esvazia o Congresso Nacional.
Interlocutores afirmam que Hugo tentou equilibrar pratos colocando na mesma sessão outras matérias de interesse do governo e que é uma prerrogativa do presidente da Casa fazer a pauta. Governistas vão tentar reverter o cenário de votação do PDL do IOF ainda nesta quarta.
Parlamentares próximos de Hugo apontam que o clima com o Planalto também tem azedado diante de uma fala da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, de que uma grande reforma administrativa não está no radar. A fala foi dada em entrevista ao jornal Valor Econômico, na segunda-feira (23).
A reforma administrativa é vista como um legado que Hugo quer deixar como presidente da Câmara. O deputado tem se empenhado pessoalmente no tema.
Oposição
Hugo também fez acenos à oposição. Segundo o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), a relatoria do PDL do IOF ficará com o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), que tentou emplacar a relatoria da CPMI do INSS.
"Nossa solicitação foi para pautar o mérito no mesmo dia que votamos a urgência! Parabéns ao presidente Hugo Motta que agora se coloca ao lado do pagador de impostos, o Brasil não aguenta mais pagar tantos impostos", afirmou Sóstenes à CNN.
No Centrão, a visão dos líderes é de que o governo não está demonstrando interesse em tomar medidas de contenção de gastos e de corte de despesas, e de que tenta jogar a bola para o Congresso.



