Isabel Mega
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Isabel Mega

Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Análise: Oposição busca engajamento, mas anistia segue fora da pauta

Desejo da oposição era votação da proposta no mesmo dia previsto para o STF concluir julgamento de Bolsonaro e mais sete réus por plano de golpe

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A oposição, com apoio de integrantes do centrão, reforçou as articulações para avançar com um projeto de anistia em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal).

O entorno do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), avalia, no entanto, que o parlamentar não vota nada enquanto a primeira turma não concluir os trabalhos.

A oposição afirma ter recebido sinalizações positivas após as últimas conversas com Hugo de que o tema pode ir a plenário após o julgamento. Mas pautar, neste momento, deixaria evidente os efeitos da pressão. Logo, deixar o tema esfriar é a opção que ganha corpo.

 

Nos desejos de aliados de Bolsonaro, a sexta-feira da próxima semana seria a data ideal. O dia é o mesmo previsto pelo STF para concluir o julgamento de Bolsonaro e demais réus do núcleo 1 do plano de golpe.

Mas ainda há várias dúvidas.

A primeira é: em um cenário de votação após o julgamento, o Congresso espera até o resultados de recursos? ou se esforça para pautar ainda em setembro?

A segunda: qual é a anistia que será votada? A ampla, geral e irrestrita que abraçaria Bolsonaro ou a anistia só para quem participou dos atos do 8 de janeiro?

No contexto, tem ainda a Federação União-PP, que costura apoios para tornar o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), o candidato da direita à presidência da República.

E tem Tarcísio abraçando o tema em uma missão, segundo aliados do governador, delegada pelo próprio Jair Bolsonaro. Afinal, os votos de 2026 ainda estão com o ex-presidente e não com um sucessor?

O governador tem dado, nos últimos dias, sinais públicos de fidelidade a Bolsonaro. Vestindo a “roupa de candidato", chegou a prometer indulto ao ex-presidente caso fosse eleito para comandar o Planalto.

Na data que marcou o início do julgamento no STF, 2 de setembro, Tarcísio veio à Brasília com a missão de articular agendas de apoio à anistia.

Enquanto isso, o PL tem feito cálculos sobre o apoio e afirma ter sinalizações positivas de mais cinco líderes na Câmara: PSD, PP, União Brasil, Republicanos e Novo.

As bancadas somam 292 deputados. O número empolga a oposição para sustentar uma maioria a favor do texto na Câmara. Leva em consideração, entretanto, um cenário improvável de adesão de 100% dos partidos na Câmara.