Brasil minimiza "fator Venezuela" em relação com Estados Unidos
Ida de Lula à Celac é vista como positiva e petista deve manifestar solidariedade regional
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a ida presencial à Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) é fundamental para expressar solidariedade regional e minimizam o "fator Venezuela" em meio às negociações com os Estados Unidos para a reversão do tarifaço.
A visão é de que divergências fazem parte do jogo político e diplomático e de que o debate sobre a situação do país vizinho não afetará a relação com Donald Trump, com quem Lula se encontrou duas semanas atrás e chegou a se oferecer como mediador para o conflito.
Após o encontro, equipes dos EUA e do Brasil têm tratado das negociações de interesses para a evolução e fechamento de um acordo. Ao mesmo tempo, o governo Trump tem subido o tom contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e chegou a dizer que os dias dele estão contados.
O Itamaraty tinha dúvida sobre o esvaziamento da cúpula da Celac, que tinha poucos chefes de Estado confirmados.
A decisão de Lula ir reflete uma estratégia de fortalecer o grupo, do qual o governo petista é um dos principais entusiastas.
Auxiliares do presidente lembram que o Brasil tem fronteira com dez países sul-americanos.
Diplomatas pontuam que se trata de um foro multilateral e que não faria sentido faltar à reunião porque “país x ou y” estará presente.
O Brasil têm tentado adotar uma posição de neutralidade quanto à Venezuela e favorável à pacificação da região.
Recentemente, o Itamaraty discordou de Maduro ao manifestar o entendimento de que os navios dos EUA no Caribe não violam o acordo de Tlatelolco - o Tratado de Zonas Livres de Armas Nucleares da América Latina.
Ao mesmo tempo, Lula também recebeu um agradecimento de Maduro pelos apelos ao diálogo e à paz feitos pelo petista.
A reunião da Celac, em Santa Marta, na Colômbia, será em conjunto com representantes da União Europeia. Esse é outro interesse do Brasil, que espera ver fechado até o final do ano o acordo entre a UE e o Mercosul.
A cúpula ocorre nos dias 9 e 10 de novembro. De acordo com a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Lula deve retornar a Belém ainda no domingo, a tempo de comandar a abertura da COP30, na segunda-feira (10), na capital paraense.



