Isabel Mega
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Isabel Mega

Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Brasil reforçará na ONU posição contra violação da soberania da Venezuela

Diplomacia brasileira avalia que efeitos do Conselho de Segurança seguem limitados sem uma reforma do órgão

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Diplomatas brasileiros estão com expectativas baixas sobre a reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas marcada para esta segunda-feira (5) para debater a crise na Venezuela. A avaliação é de que os efeitos do colegiado seguem limitados sem uma reforma do órgão. O sistema de vetos de grandes potências com assento permanente no Conselho é visto como um dos principais entraves.

Mesmo sem ser membro, o Brasil pedirá a palavra e usará o encontro para se posicionar contra a violação da soberania venezuelana e pela defesa da paz. A avaliação interna do Palácio do Itamaraty é de que o Brasil não pode estar de fora do debate sobre a situação da Venezuela e precisa reforçar recados demarcando o papel de protagonista diante de uma região politicamente dividida.

O embaixador Sérgio Danese irá representar governo brasileiro durante a reunião marcada para o início da tarde e deve transmitir os recados brasileiros.

A avaliação de diplomatas ouvidos pela CNN Brasil é de que o Brasil deve trabalhar daqui para frente a defesa para que haja uma transição pacífica e com eleições na Venezuela. Nicolás Maduro ficou para trás e não será defendido, mas o precedente gerado pela retirada a fórceps pelos Estados Unidos é considerado grave e com consequências sérias para todo o continente.

O desafio do Brasil, apontam diplomatas, é se equilibrar na delicada corda bamba imposta pelo quadro histórico. A captura de Maduro vem em um momento de boa relação do Brasil com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Brasil vem trabalhando desde sábado (3) na retórica para condenar a maneira como a operação se deu, com a ultrapassagem de "uma linha inaceitável", mas sem sair em defesa nominal de Maduro ou citar expressamente a gestão Trump.

Com a artilharia retórica de Trump voltada para a Colômbia, por exemplo, o Brasil segue fora do radar do americano. A avaliação é de que a "distração" com outros assuntos ajuda o governo a seguir com avanços nas negociações para consolidar parcerias e acordos com ganhos mútuos.

Ainda que o Brasil estivesse de sobreaviso para uma escalada da gravidade da situação na Venezuela, a operação de captura no terceiro dia do ano foi recebida com surpresa. Maduro foi preso em uma operação determinada por Trump na madrugada do último sábado. Ele passará por uma audiência às 14h, no horário de Brasília, em Nova York.