Isabel Mega
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Isabel Mega

Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Em paz com Alcolumbre, governo abandona mote de “Congresso inimigo do povo”

Governistas agora falam em ação coordenada da oposição contra fim da 6x1 e personalizam ataques em Flávio Bolsonaro

Após reestabelecer relações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o governo decidiu recalibrar o mote “Congresso inimigo do povo” e mirar apenas a oposição. O ajuste de estratégia ocorre depois de a base governista não conseguir emplacar a votação do fim da escala 6x1 no plenário antes das eleições.

O PT quer agora mirar aliados do principal adversário na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL), para dizer que o inimigo não é o Congresso, mas os apoiadores do parlamentar e ele próprio.

Antes, o mote sobre a atuação do Congresso, no entanto, foi amplamente utilizado por governistas durante o primeiro semestre deste ano para pressionar pelo avanço da pauta na Câmara dos Deputados, o que irritou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O governo ainda mantinha, nesta semana, o otimismo de conseguir avançar com a PEC para a etapa final, no plenário do Senado. Davi Alcolumbre, no entanto, já sinalizava que seguiria o rito de esperar pelo menos cinco sessões entre a votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e o plenário para não criar desgaste com a oposição.

Líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) buscou postergar o quanto pôde com recursos regimentais a votação do texto governista na CCJ, onde foi aprovado. Na análise, votou contra a proposta assim como Tereza Cristina (PP-MS), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).

Após a aprovação na CCJ e a frustração em não emplacar a PEC no plenário, o discurso governista foi de que o quórum não daria confiança de aprovação.

Uma PEC exige pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos de votação. Como esta foi a última semana prevista de trabalhos dos senadores até as eleições, o tema deve ficar pendente até lá.