Em paz com Alcolumbre, governo abandona mote de “Congresso inimigo do povo”
Governistas agora falam em ação coordenada da oposição contra fim da 6x1 e personalizam ataques em Flávio Bolsonaro
Após reestabelecer relações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o governo decidiu recalibrar o mote “Congresso inimigo do povo” e mirar apenas a oposição. O ajuste de estratégia ocorre depois de a base governista não conseguir emplacar a votação do fim da escala 6x1 no plenário antes das eleições.
O PT quer agora mirar aliados do principal adversário na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL), para dizer que o inimigo não é o Congresso, mas os apoiadores do parlamentar e ele próprio.
Antes, o mote sobre a atuação do Congresso, no entanto, foi amplamente utilizado por governistas durante o primeiro semestre deste ano para pressionar pelo avanço da pauta na Câmara dos Deputados, o que irritou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O governo ainda mantinha, nesta semana, o otimismo de conseguir avançar com a PEC para a etapa final, no plenário do Senado. Davi Alcolumbre, no entanto, já sinalizava que seguiria o rito de esperar pelo menos cinco sessões entre a votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e o plenário para não criar desgaste com a oposição.
Líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) buscou postergar o quanto pôde com recursos regimentais a votação do texto governista na CCJ, onde foi aprovado. Na análise, votou contra a proposta assim como Tereza Cristina (PP-MS), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).
Após a aprovação na CCJ e a frustração em não emplacar a PEC no plenário, o discurso governista foi de que o quórum não daria confiança de aprovação.
Uma PEC exige pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos de votação. Como esta foi a última semana prevista de trabalhos dos senadores até as eleições, o tema deve ficar pendente até lá.



