Isabel Mega
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Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Governo comemora mudança, mas ainda vê problemas em novo texto de Derrite

Ministério da Justiça analisa terceira versão de relatório sobre PL Antifacção; texto foi rebatizado para Marco Legal de Combate ao Crime Organizado

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A terceira versão do relatório do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) sobre o PL Antifacção não agradou por completo o governo. Articuladores da proposta, que é pilar do Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, ainda enxergam muitos problemas e pontos a serem aprimorados.

O Executivo vê um esvaziamento dos fundos federais e margem para a criminalização de movimentos sociais. Técnicos do Ministério da Justiça vão aprofundar a análise durante o dia e podem sugerir novas mudanças.

O texto pode ser votado nesta quarta-feira (12) pelo plenário da Câmara dos Deputados.

O novo parecer aponta que "bens e valores perdidos poderão ser utilizados provisoriamente pelos órgãos de segurança pública para reaparelhamento policial, capacitação e operações especiais, mediante autorização do juiz da execução". O trecho é visto com preocupação porque teria impacto em fundos federais.

O governo teve uma vitória com o recuo de Derrite sobre pontos que poderiam tirar a autonomia da PF (Polícia Federal) em investigações de facções e na equiparação dessas organizações com atos terroristas. Os dois pontos não estavam originalmente na proposta.

A oposição, no entanto, ainda pretende pressionar a votação de uma proposta, apresentada pelo deputado Danilo Forte (União-CE), que traz a equiparação.

Durante a terça-feira (11), o governo montou uma força-tarefa para reclamar sobre o trabalho feito por Derrite, que está licenciado da função de secretário de Segurança Pública de São Paulo.

Derrite rebateu as críticas e negou que tenha recuado. “O que você chama de recuo eu chamo de estratégia para beneficiar a população”, justificou. Ele também classificou como “narrativa” a ideia de que sua proposta restringiria o trabalho da Polícia Federal.