Governo não deve participar de audiência sobre tarifaço nos EUA
Itamaraty entende que espaço é para setor privado e sociedade civil e aposta em canais de Estado

O governo brasileiro não deve ter representantes na audiência pública marcada no próximo dia 6 de julho para discutir a aplicação do tarifaço de 25% a produtos brasileiros, fixada após conclusão da investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Fontes ouvidas pela CNN ponderam que o espaço é para atuação do setor privado e da sociedade civil. No ano passado, o governo também não participou de audiências sobre os tarifaços anteriores anunciados pela gestão Donald Trump.
Tanto em 2025, como neste ano, a ideia é que o Brasil tenha um representante para participar como ouvinte.
A atuação do governo brasileiro tem ocorrido por meio dos canais entre Estados e apresentado a defesa das posições do país por escrito, em reuniões virtuais e presenciais.
O Brasil tem sentado à mesa para negociar com os americanos pelo menos uma vez por semana. A tarifa de 25% pode ser implementada contra o Brasil a partir do dia 15 de julho, quando o USTR irá anunciar a decisão final.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, se inscreveu para falar durante a audiência. Reservadamente, diplomatas brasileiros são críticos à iniciativa e afirmam que Flávio tenta criar um factoide eleitoral.
A visão do governo Lula é de que a proposta de tarifaço tem viés político e de que basta ir à origem do caso para saber quem pediu tarifas contra o Brasil e contou vantagem a respeito.
A investigação ocorreu nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana - ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
O Palácio do Planalto tem demonstrado pessimismo e uma margem estreita para negociar a tarifa de 25%, apesar de ver sinalizações de que Donald Trump tenta separar a pauta da relação pessoal que mantém com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para além desta tarifa anunciada, o Brasil também foi incluído em uma lista de um segundo tarifaço - de 12,5% - com base em um documento do USTR que mira 60 países que, na visão do governo Trump, teriam se omitido ao tomar medidas contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado.



